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domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Que Lhe Impede de Voltar?


Oséias 5:4

Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles; não reconhecem o SENHOR.

 

O profeta Oséias estava incumbido de denunciar a prostituição espiritual de Israel.

Esta era uma expressão que dava a clara ideia do que queria dizer: significava que o povo estava abandonando a Deus, pretendendo enganá-Lo – como se isso fosse possível! –, e entregar-se a cultuar outras divindades comuns aos povos daquela época e geografia.

Era, espiritualmente falando, um ato de prostituição. Deus colocava-Se – de forma figurada – como o marido do Seu povo, que Ele havia resgatado do Egito e introduzido na “terra prometida”, onde “manava leite e mel”. Em outras palavras, os israelitas mostravam-se ingratos, agora que pensavam encontrar-se em condições seguras e prósperas.

Esta advertência do profeta era dirigida aos sacerdotes, à família real e ao povo.

Aos sacerdotes, pois eram os primeiros que deveriam ser zelosos dos mandamentos de Deus, mas eram os primeiros a profaná-los. Além disso, eram licenciosos e permitiam que se cultuassem outras divindades e, mais do que isso, não raramente participavam como agentes atuantes destes cultos, erigindo altares debaixo de árvores frondosas – que eram locais tidos como propícios a estas práticas –, bem como erigindo colunas sagradas, que eram marcos de homenagem às divindades pagãs.

A advertência era também à família real, pois, como dirigentes da nação, tinham a obrigação de zelar pelo cumprimento das leis – e lembramos que a Lei de Moisés era tanto de caráter religioso como político/social. Mas a família real não se importava com isso, antes, oprimiam o povo e se regalavam com a condição da realeza.

E, por fim, a advertência era dirigida ao povo em geral, pois, não obstante a negligência dos sacerdotes e da realeza, isso não era razão para que o povo simplesmente seguisse essa devassidão, pois tinham conhecimento dos mandamentos e tinham obrigação moral e comportamental com eles.

Assim, a advertência – ao mesmo tempo dura e rígida, mas também chamativa ao arrependimento e à conversão – alcançava a todos!

A nossa Palavra para este texto diz que suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus”. Ora, isso é de um significado profundo! Tem implicações espirituais e psicológicas, enraizando-se no subconsciente coletivo.

Nossas ações – aquilo que rotineiramente fazemos e a forma como nos comportamos e conduzimos – têm um nascedouro: nossos pensamentos e compreensões. Assim, passamos a agir conforme pensamos. Primeiro, transformamos esses pensamentos em palavras, dizendo a nós mesmos – e aos outros – no que acreditamos e como achamos que as coisas devem ser. Depois, impulsionados pelas próprias palavras que se tornam um testemunho a nosso respeito, passamos a agir, passamos a produzir padrões comportamentais e nos tornamos “assim mesmo”. Passamos a ser o que pensamos e falamos. Esse agir se torna, com o passar do tempo, automático e reproduzido diariamente de forma inconsciente. As nossas ações passam a ser quem somos.

E aqui entra o falar do profeta e o efeito causado. Mesmo que a pessoa, ao ouvir a advertência profética, quisesse mudar seu comportamento, quisesse converter-se, ela estava tão atrelada ao processo de agir no automático, que essa forma de agir/ser se tornava um obstáculo muito grande à mudança – era mesmo um impeditivo para tal. A pessoa poderia até querer mudar, mas estava presa ao padrão comportamental, não somente dela, mas de todos os que a cercavam. Daí a dificuldade de mudar; daí o fato de ser dito que suas ações não lhes permitem, pois a pessoa passa a crer que ela é “assim mesmo”, afinal, os demais também são, e agem de igual forma.

Para mudar, é preciso quebrar o padrão; é preciso quebrar a cadeia comportamental; é preciso romper as correntes das ações automatizadas! Afinal, isso é conversão: é dar meia-volta em tudo, é dar alguns passos atrás e recomeçar, é acertar um novo passo e passar a andar no novo caminho! Mas isso demanda uma boa dose de querer e esforço!

E por que o profeta diz que “um espírito de prostituição está no coração deles”? O que isso quer dizer? Isso quer dizer que a pessoa está de tal forma desconstruída e perdida em seu padrão comportamental, que é como estar prostituída, degenerada, completamente desviada e perdida. Esse “espírito” é um padrão mental/psicológico que se instala, causando dificuldade de romper o padrão nocivo para reinstalar um novo padrão, uma nova forma de conduta, um retorno ao mandamento divino.

Para romper esse padrão, não raro precisamos recorrer ao Senhor!

Lembro de Jesus, que diz que para a pessoa vir a Ele, deve se reconhecer como um doente psicológico/espiritual. Somente quando assim nos reconhecemos, é que estamos abertos aos efeitos que o Evangelho pode produzir. À pessoa que se enxerga como ela realmente é, que não tenta se disfarçar dentro de uma pseudonormalidade, que não dissimula sua própria falência emocional, a esta pessoa o Senhor diz: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores” (Marcos 2:17).

O Evangelho é Boa Nova para uma classe humana: os que admitem a sua própria condição e doença!

Aqueles que não se admitem desta forma, dificilmente ouvem a Palavra do Senhor; dificilmente creem que precisam de Jesus; não reconhecem o SENHOR, como diz o profeta Oséias.

Aqueles que não se reconhecem como “necessitados” da graça divina através de Jesus, podem até ser cristãos de banco de igreja, de domingos religiosos, de bom “comportamento de hamster”, podem até estudar e discutir teologias, podem até ser “pessoas de bem”, mas muito dificilmente se convertem a reais seguidores de Jesus Cristo, a Seus discípulos no dia a dia!

Quem se acha autossuficiente e se estriba nos seu próprio conhecimento, bom senso e capacidade, quem se acha rico de si mesmo, abastado de ego, pode vir a ouvir a seu respeito: “Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo ainda: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mateus 19:23-24). É dessa falsa riqueza da autossuficiência psicológica/espiritual que Jesus também falava. E a sequência é impactante: Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: “Neste caso, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis (Mateus 19:25-26).

Esta é a resposta/conclusão que se tem diante da advertência de Oséias! Sim, somos salvos por Deus!

E podemos concluir com as palavras do apóstolo Paulo: No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da Lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado (Romanos 7:22-25).

E ainda: Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte (Romanos 8:1-2).

Aí sim, nada nos impede de voltarmos e seguir a Jesus Cristo!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

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