Gálatas 5:22-23
Mas
o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Hoje quero falar ainda uma vez mais sobre o fruto
do Espírito.
Na carta do apóstolo Paulo aos irmãos na Galácia,
ele fala, no trecho mencionado acima, sobre este fruto. E tudo começa na base:
o amor!
O amor, como fruto do Espírito, é
primeiramente a manifestação do amor de Deus naquele que crê. O nascedouro deste
amor é justamente o Espírito, não o esforço humano.
Este amor é, em primeira e mais eleva instância, doação
e partilha. É dar de si e partilhar o que se tem! Cristo doou a Si e Se
partilhou, sem medida, por inteiro!
Este amor coloca-se em movimento e age – amar é um
verbo, demanda ação!
Não sendo sentimento propriamente, que é
passageiro e mutável, nem emoção, que é impulsiva e passional, este amor, fruto
do Espírito, é duradouro e comprometido.
Não é à toa que é o primeiro a ser mencionado na lista
de nove, pois serve, como falei antes, de base e alicerce.
Também fazem parte das ações deste amor a
renúncia, a prioridade ao próximo, a dedicação de tempo e a disponibilidade.
Quando o Espírito nos habita e quando d’Ele
dependemos, o nascimento, crescimento e plenitude deste amor são coisas
naturais!
Sendo o oposto do medo, que se fecha, se retrai e
retém, o amor divino que nos habita se abre, se expande e doa!
Sendo Deus amor, como sintetiza o apóstolo João,
este fruto do Espírito nos alinha à essência divina, fazendo com que sejamos
uma partícula da divindade a andar neste planeta, dia a dia, e a cada dia de
novo!
Ainda: sobre o amor, por favor, leia 1º Coríntios 13.
A alegria, como fruto do Espírito, não é um
estado abobalhado, alienado ou anestesiado, mas um constante contentamento e persistente
satisfação na alma, tendo a consciência da presença divina em nós.
Esta alegria não se baseia nem se alimenta das
circunstâncias externas, mas do estado interno de saber-se em Deus.
Não é uma felicidade passageira, pois é uma
alegria que permanece mesmo em face às lutas, provações ou tristezas naturais. Sim,
a alegria divina pode coexistir com tristezas momentâneas, posto que não é anestesia,
mas consciência.
É, em si mesma, uma força divina geradora de esperança
e paz, em que pese os desafios!
Assim como o amor, seu nascedouro não é o esforço
humano, mas uma característica produzida pelo Espírito naquele que crê e
confia.
Não dependendo das circunstâncias, mantém-se mesmo
na escassez, no sofrimento e no aparente caos, pois solidifica-se na confiança
em Deus.
Está intimamente ligada à graça divina, sendo um
presente divino.
Nesta ligação da alegria com a graça, há um amigo
meu que diz: “Somos engraçados porque somos cheios de graça!”
A verdadeira alegria está na obediência aos
mandamentos de Jesus, na confiança n’Ele e no privilégio de se andar com Ele!
A alegria reforça a fé e alimenta a gratidão,
contagiando quem conosco convive.
A paz, como fruto do Espírito, é uma
tranquilidade interior profunda, não dependendo das exterioridades.
Diferente da paz humana, caracterizada por ausência
de conflitos, a paz divina é a consciência que estamos pacificados com e em
Deus!
Esta paz traz calma e serenidade, mesmo e
especialmente diante das tribulações.
Não é apenas ausência de guerra, seja física ou
psicológica, mas é saber-se íntegro, completo e em harmonia com Deus e com o
próximo – e consigo mesmo!
A paz divina elimina o medo, supera circunstâncias
adversas e guarda nosso coração e nossa mente em Cristo Jesus.
É uma paz que excede todo o entendimento humano!
Por portarmos esta paz, somos agentes
pacificadores nos ambientes em que estamos, sendo promotores de harmonia onde
há conflito.
Ainda, por esta paz, nos retroalimentamos na saudação
do Senhor: “Paz seja com vocês!”
Esta paz afasta sentimentos como mágoa, rancor,
amargura e frustração.
Ainda, é a certeza constante do cuidado de Deus,
cultivada pela oração e pela comunhão com o Senhor e com o próximo, resultando
em uma vida equilibrada e amorosa.
A paciência, como fruto do Espírito, é a
capacidade de manter a calma, o autocontrole e a esperança em Deus, mesmo sob
adversidades, provocações ou longas esperas. É a tolerância com os outros e perseverança,
não sendo passividade, mas uma força ativa baseada na fé.
Sendo o oposto da impaciência e da ira, envolve
suportar situações desagradáveis, ofensas e o incômodos dos outros, sem perder a
calma e a fé de que Deus sabe!
Ter paciência é não estourar!
É também ter confiança de que Deus está no
controle, agindo mesmo quando não parece.
Diferente da passividade, a paciência ancora-se na
confiança e na ação calma e pacífica!
É uma amostra viva de maturidade na fé!
Quando conseguimos agir com paciência,
definitivamente somos diferentes do padrão do mundo, e não nos amoldamos a ele!
A amabilidade, como fruto do Espírito, é a
virtude que se manifesta como gentileza, delicadeza e amor em ação. Ela nos torna
sensíveis e atenciosos no trato com as pessoas, indo além de palavras,
desembocando em atos concretos de amor e consideração.
Também chamada de benignidade, é a compaixão
aplicada, o amor que se torna útil e gentil nas atitudes, agindo com brandura, mesmo
com quem não merece.
Na prática, não é apenas um sentimento, mas o amor
em ação, priorizando o outro e tratando todos com carinho, respeito e
generosidade.
Contrapõe-se ao egoísmo, à busca de interesses
próprios, à inveja e à aspereza.
A amabilidade demonstra que o Espírito Santo nos habita,
tornando o caráter de Deus visível por meio de atitudes.
A bondade, como fruto do Espírito, é uma
virtude ativa e generosa. Não é ser bonzinho, mas traz em si uma disposição genuína
de fazer o bem e ser útil.
A bondade abençoa, ajuda e investe em colocar o
outro para cima, sem esperar nada em troca!
A bondade é generosa, não faz por obrigação, por
medo de punição ou para obter bênçãos em troca. A bondade verdadeira não é
manobra de trocas nem barganha!
O agir com bondade transforma o próprio agente.
A bondade é a amabilidade em ação!
Ela é capaz de ser firme, corrigir e disciplinar
quando necessário, sempre visando o bem maior.
A fidelidade, como fruto do Espírito, é a
virtude que nos capacita a sermos constantes, leais e confiáveis!
Também implica em manter-se fiel a Deus e aos
compromissos, agindo com perseverança, honestidade e confiança.
Assim como Deus é fiel, somos chamados, como
discípulos de Cristo, à fidelidade, e a manifestá-la no dia a dia.
É uma manifestação que se dá nas pequenas coisas e
nas grandes.
Incluindo a decisão de perseverar até o fim, é uma
resposta à fidelidade divina, e engloba sermos fieis a Deus e a nós mesmos,
posto que nos construímos em cima do fruto do Espírito!
A mansidão, como fruto do Espírito, não é
fraqueza, mas força sob controle, doçura e brandura de caráter. É uma humildade
que nos capacita a lidar com situações difíceis, sem ira ou arrogância,
refletindo a natureza de Jesus!
De novo: mansidão é uma baita força sob controle!
É nos alinharmos à vontade de Deus!
Não é passividade nem timidez, mas um coração que
descansa em Cristo, agindo com humildade e modéstia.
É imitar Jesus, que foi “manso e humilde de
coração”!
A mansidão molda as atitudes, permitindo corrigir
falhas de outros com brandura e tolerar situações difíceis sem reações
impulsivas ou raivosas.
É o abrandamento da personalidade, agindo com
sabedoria e amor!
O domínio próprio, como fruto do Espírito, é
a capacidade de controlar emoções, desejos e impulsos.
É temperança e autocontrole, gerados internamente
pelo Espírito que nos habita, permitindo agir com sabedoria, obediência a Deus
e evitar sermos escravos dos impulsos humanos!
Permite controlar emoções e pensamentos, evitando
a ira e a ansiedade.
Não é um esforço meramente humano, mas o resultado
da comunhão com o Espírito Santo, que governa o coração.
O domínio próprio atua como equilíbrio entre emoção
e intelecto, permitindo pensar antes de falar ou agir.
Ainda, nos capacita a dizer não àquilo que é contrário
à vontade de Deus, escolhendo crescermos no discipulado de Cristo.
O domínio próprio cultivado pelo Espírito nos dá a
capacidade de discernirmos o momento de falar ou calar, de avançar ou recuar, agindo
com equilíbrio e não por impulso ou puro instinto.
É um agir protetor contra tentações, permitindo o foco
no propósito eterno, em vez de ser governado por circunstâncias.
Encerra-se dizendo que contra essas coisas não há lei, ou seja, ninguém pode ser acusado pejorativamente de ser e agir com amor, alegria,
paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Em suma, estamos livres
para sermos e agirmos assim!
Costumo dizer que, se desejamos moldar uma personalidade
em Cristo e se desejamos nos amoldar a um perfil nesta personalidade, o fruto
do Espírito, acrescido da fé em ação, traz os ingredientes perfeitos e
as características mais distintamente perfeitas para este perfil!
Por ora é isso, pessoal. Que a liberdade e o amor
de Cristo nos acompanhem.
Saudações,
Kurt Hilbert



