A Páscoa é uma das datas mais
conhecidas do calendário cristão, mas infelizmente também é uma das mais mal
compreendidas. Para muitos, ela se resume a tradições, símbolos e costumes.
Porém, a Páscoa, em sua essência, carrega a mensagem mais profunda e
transformadora de toda a História.
A palavra “Páscoa” vem do termo
hebraico Pessach, que significa “passagem”. Essa palavra nasceu ainda no Antigo
Testamento, quando o povo de Israel era escravo no Egito. Deus, então, levantou
Moisés para libertar o seu povo. Naquela ocasião, antes da última praga, Deus
instituiu a primeira Páscoa.
Cada família deveria sacrificar um
cordeiro e passar o sangue nos umbrais das portas. Naquela noite, o juízo de
Deus passaria sobre o Egito, mas ao ver o sangue, “passaria por cima” daquela
casa. O sangue do cordeiro era o sinal de livramento. Não era o mérito das
pessoas dentro da casa que as salvava, mas o sangue do cordeiro.
Desde então, a Páscoa passou a ser
celebrada todos os anos pelos judeus, como memória da libertação da escravidão
no Egito. Mas aquela celebração apontava para algo maior. Ela era uma sombra de
uma realidade futura.
Séculos depois, essa realidade se
cumpriu em Jesus Cristo.
Quando chegamos ao Novo Testamento,
vemos que Jesus morreu justamente no período da Páscoa. Isso não foi
coincidência. Ele é o verdadeiro Cordeiro de Deus. Assim como o cordeiro era
sacrificado no Egito, Cristo foi entregue por nós. Assim como o sangue protegia
da morte, o sangue de Cristo nos livra do juízo de Deus.
A sexta-feira que muitos chamam de
“Sexta-feira Santa” ou “Sexta-feira da Paixão” nos lembra exatamente isso. Foi
o dia em que Jesus foi traído, humilhado, espancado, zombado, coroado com espinhos
e levado para a cruz.
Ele não morreu como vítima de
circunstâncias. Ele se entregou voluntariamente.
Na cruz, Jesus carregou o pecado do
seu povo. Ele recebeu sobre si a justa ira de Deus contra o pecado. Aquilo que
nós merecíamos, Ele tomou sobre si. Ele foi crucificado entre dois criminosos,
mostrando que estava sendo contado entre os pecadores.
E ali acontece algo profundamente
revelador.
Um daqueles homens reconhece sua
própria culpa. Ele confessa que está sendo punido justamente, mas que Jesus não
havia cometido pecado. E então ele clama: “Lembra-te de mim quando entrares no
teu reino”.
Jesus responde: “Hoje mesmo estarás
comigo no paraíso”.
Ali nós vemos, de forma clara, o que
é a fé salvadora.
Aquele homem não teve tempo de fazer
boas obras, não teve tempo de “se consertar”, não teve tempo de provar nada.
Ele apenas creu. Mas essa fé não nasceu dele mesmo. Um coração endurecido não
reconhece Cristo dessa forma.
O que aconteceu ali foi uma obra de
Deus. O Espírito Santo regenerou aquele homem, abriu seus olhos, produziu
arrependimento e fé. Ele reconheceu seu pecado, reconheceu quem Cristo era e
confiou nele.
Isso é salvação.
A fé não é uma decisão autônoma do
ser humano. Ela é um dom de Deus. É Deus quem convence do pecado, da justiça e
do juízo. É Deus quem dá vida ao que estava morto espiritualmente.
E é por isso que a salvação é
inteiramente pela graça.
Mas a história não termina na cruz.
Se a sexta-feira aponta para o
sacrifício, o domingo aponta para a vitória.
O domingo de Páscoa, também chamado
de domingo da ressurreição, celebra o fato de que Jesus não permaneceu morto.
Ao terceiro dia, Ele ressuscitou. A morte foi vencida. O pecado foi derrotado.
O túmulo está vazio.
A ressurreição é a confirmação de que
o sacrifício foi aceito. Se Cristo tivesse permanecido morto, não haveria
esperança. Mas Ele vive.
E porque Ele vive, há vida para
aqueles que estão nele.
A Páscoa, portanto, não é sobre
tradição, não é sobre costumes, não é sobre símbolos. É sobre redenção. É sobre
substituição. É sobre um Cordeiro que morreu no lugar de pecadores.
É sobre um Salvador que vive.
E isso nos leva à pergunta mais
importante: o que você faz com isso?
A mensagem da Páscoa não é apenas
para ser admirada, é para ser recebida. Cristo morreu por pecadores. Ele
ressuscitou para justificar aqueles que creem.
Mas essa fé não é apenas um
assentimento intelectual. Não é apenas dizer “eu acredito que isso aconteceu”.
É confiar em Cristo como único e suficiente Salvador.
É reconhecer que você é pecador,
incapaz de se salvar, e depender completamente da obra de Jesus.
É abandonar toda confiança em si
mesmo.
E isso não acontece pela força da
vontade humana. É Deus quem chama, é Deus quem transforma, é Deus quem concede
arrependimento e fé.
Por isso, se hoje você compreende
essa mensagem, se hoje você percebe o seu pecado, se hoje você vê Cristo como
precioso, não endureça o seu coração.
Clame a Deus.
Peça por misericórdia.
Confie em Cristo.
Porque a verdadeira Páscoa não é
apenas uma data no calendário.
É a passagem da morte para a vida.
E isso só acontece por meio de Jesus
Cristo.
Solus Christus
(um texto de Alex Mendes)





