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domingo, 16 de agosto de 2026

Um Evangelho Único – Capítulo 7


          A cura de um endemoninhado em Cafarnaum (Marcos 1:21-28; Lucas 4:31-37)

          Então eles desceram e foram a Cafarnaum, cidade da Galileia, e assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar o povo. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque falava e lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei.

          Na sinagoga, justamente naquela hora, havia um homem possesso de um demônio, de um espírito imundo. Ele gritou com toda a força:

          “Ah!, o que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!”

          Jesus o repreendeu, e disse:

          “Cale-se e saia dele!”

          Então o demônio, o espírito imundo, sacudiu o homem violentamente, jogou-o no chão diante de todos, e saiu dele gritando, sem o ferir.

          Todos ficaram tão admirados que diziam e perguntavam uns aos outros:

          “Que palavra é esta? O que é isto? Um novo ensino – e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens com autoridade e poder, e eles lhe obedecem e saem!”

          As notícias a seu respeito e a sua fama se espalharam rapidamente por toda a região da Galileia e por toda a região circunvizinha.

 

          A cura da sogra de Pedro (Mateus 8:14-15; Marcos 1:29-31; Lucas 4:38-39)

          Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André.

          Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama, com febre alta, e falaram a respeito dela a Jesus e pediram que fizesse algo por ela.

          Estando ele em pé junto dela, se aproximou, inclinou-se e repreendeu a febre. Tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela se levantou imediatamente e começou a servi-los.

 

          A mulher samaritana (João 4:1-18)

          Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judeia e voltou uma vez mais à Galileia.

          Era-lhe necessário passar por Samaria. Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus:

          “Dê-me um pouco de água”.

          (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida).

          A mulher samaritana lhe perguntou:

          “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?”

          (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos).

          Jesus lhe respondeu:

          “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva”.

          Disse a mulher:

          “O senhor não tem com que tirar a água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva? Acaso o senhor é maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, bem como seus filhos e seu gado?”

          Jesus respondeu:

          “Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”.

          A mulher lhe disse:

          “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água”.

          Ele lhe disse:

          “Vá, chame o seu marido e volte”.

          “Não tenho marido”, respondeu ela.

          Disse-lhe Jesus:

          “Você falou corretamente, dizendo que não tem marido. O fato é que você já teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade”.

 

          A verdadeira adoração (João 4:19-30)

          Disse a mulher:

          “Senhor, vejo que é profeta. Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.

          Jesus declarou:

          “Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

          Disse a mulher:

          “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós”.

          Então Jesus declarou:

          “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.

          Naquele momento os seus discípulos voltaram e ficaram surpresos ao encontrá-lo conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “Que queres saber?” ou: “Por que estás conversando com ela?”

          Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo:

          “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?”

          Então saíram da cidade e foram para onde ele estava.

 

          A ceifa e os ceifeiros (João 4:31-38)

          Enquanto isso, os discípulos insistiam com ele:

          “Mestre, come alguma coisa”.

          Mas ele lhes disse:

          “Tenho algo para comer que vocês não conhecem”.

          Então os seus discípulos disseram uns aos outros:

          “Será que alguém lhe trouxe comida?”

          Disse Jesus:

          “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra. Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita’? Eu lhes digo: Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita. Aquele que colhe já recebe o seu salário e colhe fruto para a vida eterna, de forma que se alegram juntos o que semeia e o que colhe. Assim é verdadeiro o ditado: ‘Um semeia, e outro colhe’. Eu os enviei para colherem o que vocês não cultivaram. Outros realizaram o trabalho árduo, e vocês vieram a usufruir do trabalho deles”.

 

          Muitos samaritanos creem em Jesus (João 4:39-42)

          Muitos samaritanos daquela cidade creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela mulher:

          “Ele me disse tudo o que tenho feito”.

          Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos insistiram em que ficasse com eles, e ele ficou dois dias. E por causa da sua palavra, muitos outros creram. E disseram à mulher:

          “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.


(uma livre adaptação, usando como base os textos da tradução bíblica NVI – Nova Versão Internacional)

domingo, 9 de agosto de 2026

Esperamos em Ti e a Ti


 

Isaías 26:8

Andando pelo caminho das tuas ordenanças esperamos em ti, SENHOR. O teu nome e a tua lembrança são o desejo do nosso coração.

 

Jesus disse de Si mesmo que Ele é o caminho: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim (João 14:6).

Por fé, sabemos também que Jesus é a Palavra e a Palavra é Jesus: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus (João 1:1).

Assim, andando pelo caminho – que é Jesus – e pela Palavra – que também é Jesus –, estamos diante de Suas ordenanças, tal qual o profeta Isaías diz nesta passagem que serve de mote para este texto.

Jesus mesmo diz aos Seus discípulos que eles seriam Seus amigos – muito mais do que discípulos ou servos – desde que pudessem cumprir este mandamento: O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno (João 15:12-14). E prosseguia, dizendo algo maravilhoso, ao que nem sempre prestamos atenção: Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido” (João 15:15).

Sim, podemos ser chamados de amigos de Jesus!

Isaías segue dizendo que esperamos em ti. Hoje também estamos em espera – a maior espera de todas! –, isto é, a volta de Jesus. Este não é um assunto muito em voga nos dias atuais, pois se pregam outras tantas coisas por aí, mas essa espera e essa esperança são o ponto fundamental entre os que mantém seus passos no caminho e na Palavra – tanto caminho quanto Palavra sendo Jesus, lembra?

Assim, nós também podemos dizer: Esperamos em ti, SENHOR.

E podemos dizer mais: Esperamos a ti, Senhor!

E esta deve ser uma esperança viva, vívida e ativa!

Dia desses, falávamos sobre a volta de Jesus...

Diante do questionamento da real possibilidade de isso acontecer, eu dizia: Não é provável, mas é possível!

Como assim, não provável, mas possível?

Expliquei: Não podemos provar cientificamente a volta de Jesus, ainda que a Física Quântica ofereça muitas razões para a possibilidade de isso acontecer. Com base nas teorias quânticas, é possível que haja vários universos paralelos, coexistindo “ao mesmo tempo”.

A gurizada franziu a sobrancelha, pois eu falava com gente de mente aberta e receptível a esse tipo de argumento que, sei, nem todos podem aceitar. Mas estes meus interlocutores podiam.

Assim, segui com uma pergunta: De onde vocês pensam que vêm seres como anjos, demônios ou “espíritos”?

E ainda segui seguindo: E de onde vocês creem que se tirou o conceito de extraterrestres? De onde vêm? De outra dimensão?

Sobrancelhas foram desfazendo seus franzidos, e a ideia foi captada.

Eu creio que a volta de Jesus é possível por um simples abrir de fenda dimensional, num abrir e fechar de olhos! Mas esta não é uma teologia nem uma doutrina, apenas uma posição minha. Assim, não fique com a minha posição, mas forme a sua própria. Se bem que há bons palpites neste sentido, e não são palpites meus apenas: Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade (1º Coríntios 15:51-53).

Pois bem, assim, a volta de Jesus – possível em qualquer dimensão que seja – está às portas!

E devo dizer que, mesmo sem nenhum argumento metafísico ou quântico, eu creria nisso, pois, ao final de tudo, tudo é sempre uma questão de fé.

Mas o profeta citado hoje prossegue: O teu nome e a tua lembrança são o desejo do nosso coração.

Pois é... o teu nome... como se já O conhecêssemos desde sempre...

E também... a tua lembrança... como sendo uma saudade daquilo que já vivemos em tempos e lugares onde não havia tempo nem localização identificável... na dimensão do absoluto... ou na “eternidade”, como queiram...

“São o desejo do nosso coração... significando dizer que aqueles que creem desejam a presença/volta do Senhor em si...

Tudo isso me impele a dizer que o que desejamos em nós é como um ímã a atrair e aproximar a volta do Senhor, tão improvável, mas, a cada dia, tão possível...

Sim, tão possível!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 2 de agosto de 2026

Um Evangelho Único – Capítulo 6

 


          Jesus volta à Galileia e principia a sua missão (Mateus 4:12-17; Marcos 1:14-15; Lucas 4:14-15)

          Quando Jesus ouviu que João tinha sido preso, Jesus foi e voltou para a Galileia, proclamando as boas novas de Deus.

          Saindo de Nazaré, foi viver em Cafarnaum, que ficava junto ao mar, na região de Zebulom e Naftali, para cumprir o que fora dito pelo profeta Isaías: “Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios; o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz”.

          Daí em diante Jesus começou a pregar e dizia ele:

          “O tempo é chegado. Arrependam-se e creiam nas boas novas, pois o Reino de Deus e dos céus está próximo!”

          Jesus voltou para a Galileia no poder do Espírito, e por toda aquela região se espalhou a sua fama. Ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam.

 

          As bodas de Caná da Galileia (João 2:1-12)

          No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia.

          A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse:

          “Eles não têm mais vinho”.

          Respondeu Jesus:

          “Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou”.

          Sua mãe disse aos serviçais:

          “Façam tudo o que ele lhes mandar”.

          Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabia entre oitenta a cento e vinte litros. Disse Jesus aos serviçais:

          “Encham os potes com água”.

          E os encheram até a borda. Então lhes disse:

          “Agora, levem um pouco do vinho ao encarregado da festa”.

          Eles assim o fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo e disse:

          “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”.

          Este sinal miraculoso, em Caná da Galileia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

          Depois disso ele desceu a Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. Ali ficaram durante alguns dias.

 

          Outro testemunho de João Batista (João 3:22-30)

          Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judeia, onde passou algum tempo com eles e batizava.

          João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. (Isto se deu antes de João ser preso).

          Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial. Eles se dirigiram a João e lhe disseram:

          “Mestre, aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele”.

          A isso João respondeu:

          “Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu. Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

 

          O Filho em relação ao mundo (João 3:31-36)

          “Aquele que vem do alto está acima de todos; aquele que é da terra pertence à terra e fala como quem é da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Ele testifica o que tem visto e ouvido, mas ninguém aceita o seu testemunho. Aquele que o aceita confirma que Deus é verdadeiro. Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações. O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”.

 

          Jesus prega em Nazaré e é rejeitado pelos seus (Mateus 13:54-58; Marcos 6:1-6; Lucas 4:16-30; João 4:43-44)

          Depois daqueles dois dias, Jesus partiu para a Galileia, para a sua cidade, a Nazaré, onde havia sido criado, acompanhado dos seus discípulos.

          Quando chegou o sábado, entrou na sinagoga, como era seu costume, e começou a ensinar o povo na sinagoga. E levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito:

          “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”.

          Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; e ele começou a dizer-lhes:

          “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”.

          Todos falavam bem dele, e todos que o ouviam ficavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios, e perguntavam:

          “De onde lhe vêm estas coisas, esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? Não é este o filho de José, o carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão aqui conosco todas as suas irmãs? De onde, pois, ele obteve todas essas coisas?”

          E ficavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus lhes disse:

          “É claro que vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo!’ Faze aqui em tua terra o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum. Digo-lhes a verdade: Nenhum profeta é aceito em sua terra. Asseguro-lhes que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu foi fechado por três anos e meio, e houve uma grande fome em toda a terra. Contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, senão a uma viúva de Sarepta, na região de Sidom. Também havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, o profeta; todavia, nenhum deles foi purificado: somente Naamã, o sírio”.

          Continuou ele:

          “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”.

          Todos os que estavam na sinagoga ficaram furiosos quando ouviram isso. Levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao topo da colina sobre a qual fora construída a cidade, a fim de atirá-lo precipício abaixo. Mas Jesus passou por entre eles e retirou-se.

          E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los, por causa da incredulidade deles. E ficou admirado com esta incredulidade.

          Então Jesus passou a percorrer os povoados, ensinando.


(uma livre adaptação, usando como base os textos da tradução bíblica NVI – Nova Versão Internacional)

domingo, 26 de julho de 2026

Deus Não Nos Dá Um Fardo Maior Do Que Conseguimos Carregar. Será?


 

Existe uma frase muito repetida nos nossos dias, muito presente em conversas, aconselhamentos e até em púlpitos, que diz assim: “Deus nunca vai te dar um fardo maior do que você consegue carregar”.

E quase sempre, quando alguém ouve isso, a reação é imediata: “Isso está na Bíblia”.

Mas então vem a pergunta que raramente é feita com seriedade: Onde?

E é aqui que o problema começa.

Porque, na maioria das vezes, quem afirma isso não sabe responder. Diz algo como: “Ah, deve estar em Coríntios, Paulo que falou…”, mas nunca leu o texto, nunca examinou o contexto, nunca conferiu se aquilo realmente está ali. Apenas ouviu alguém dizer, achou bonito, achou consolador, e passou adiante.

E assim, uma frase que não é bíblica passa a ser tratada como se fosse Palavra de Deus.

Esse é um dos grandes problemas do nosso tempo.

Nós estamos sendo ensinados por ecos, não por Escritura.

Vivemos em uma geração que consome conteúdos rápidos, frases de efeito, recortes de vídeos, trechos de pregações e, muitas vezes, até pastores estão sendo formados mais por reels, vídeos curtos e repetições virais do que por estudo sério, leitura cuidadosa e exegese fiel do texto bíblico.

E o resultado disso é inevitável: ideias populares começam a ocupar o lugar da verdade bíblica.

Essa frase, especificamente, costuma ser associada a 1 Coríntios 10:13. Mas quando você lê o texto, percebe imediatamente que Paulo não está falando sobre sofrimento, dor, perdas ou provações da vida. Ele está falando sobre tentação.

O texto diz que Deus não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar, e que, junto com a tentação, providenciará o escape, para que possamos suportar.

Perceba com atenção: o assunto é tentação ao pecado, não sofrimento existencial.

Paulo não está dizendo que você nunca passará por algo maior do que consegue suportar emocionalmente, fisicamente ou psicologicamente. Ele está dizendo que você não será colocado em uma situação onde será inevitável pecar.

São coisas completamente diferentes.

Mas a leitura popular ignora isso, tira o texto do seu contexto e transforma uma promessa específica sobre tentação em uma promessa geral sobre sofrimento.

E isso não é apenas um erro de interpretação, é um erro pastoral grave.

Porque cria uma expectativa falsa no coração das pessoas.

Quando alguém acredita que Deus nunca permitirá um fardo maior do que ela pode carregar, o que acontece quando esse fardo vem?

Quando a dor é grande demais?

Quando a perda é insuportável?

Quando a angústia ultrapassa todos os limites?

Essa pessoa começa a pensar: “Então tem algo errado comigo”.

Ou pior: “Então Deus falhou comigo”.

Mas o problema não está em Deus, está naquilo que foi ensinado de forma equivocada.

A verdade é que a Bíblia mostra repetidas vezes que Deus permite, sim, que seus servos passem por situações maiores do que suas forças.

O próprio apóstolo Paulo diz, em 2 Coríntios 1:8-9, que as tribulações foram sobremaneira agravadas, acima das suas forças, a ponto de desesperarem até da própria vida.

Isso destrói completamente a ideia de que Deus nunca dá um fardo maior do que podemos carregar.

Paulo está dizendo exatamente o contrário.

E por quê?

Ele mesmo responde: para que não confiassem em si mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

Esse é o ponto central.

Deus não está comprometido em preservar a sua sensação de controle.

Deus está comprometido em destruir a sua autossuficiência.

Nós gostamos da ideia de que conseguimos dar conta.

Mas o Evangelho não é sobre pessoas que dão conta.

O Evangelho é sobre pessoas que não dão conta, e por isso dependem totalmente da graça.

Quando você olha para as Escrituras, esse padrão se repete o tempo todo.

Jó enfrenta uma dor que ultrapassa qualquer medida humana.

Os salmistas frequentemente expressam um peso que eles mesmos reconhecem ser pesado demais para carregar.

Elias chega ao ponto de pedir a morte.

Os apóstolos são perseguidos, presos, espancados e mortos.

Cristãos, ao longo da história, enfrentaram e ainda enfrentam tortura, prisão e morte por causa do nome de Cristo.

Dizer que essas pessoas não receberam um fardo maior do que podiam carregar é ignorar completamente a realidade bíblica.

Eles não suportaram porque eram fortes.

Eles suportaram porque foram sustentados.

Essa é a diferença.

A Bíblia não ensina que você é forte o suficiente.

Ela ensina que Deus é fiel o suficiente.

Em 2 Coríntios 12:9, o Senhor diz: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Não é na força.

Não é na capacidade.

É na fraqueza.

O que sustenta o cristão não é a sua habilidade de carregar o peso, mas a graça de Deus que o sustenta debaixo do peso.

Outro texto precioso diz: “Lança o teu fardo sobre o Senhor, e Ele te sustentará” (Salmo 55:22).

Perceba novamente: não é “carregue sozinho”, é “entregue”.

A lógica bíblica não é autossuficiência, é dependência.

E aqui está o ponto pastoral que precisa ser recuperado nos nossos dias.

Nós não precisamos de frases bonitas que nos façam sentir fortes.

Nós precisamos da verdade que nos ensina a depender de Deus.

Infelizmente, muitos púlpitos têm reproduzido esse tipo de ideia sem exame, sem cuidado e sem fidelidade ao texto.

E isso não acontece necessariamente por má intenção.

Muitas vezes acontece por negligência.

Pastores também são influenciados pelo ambiente em que vivem.

Eles também consomem conteúdo.

Eles também ouvem outros pregadores.

E, sem perceber, acabam repetindo aquilo que parece correto, que soa espiritual, que tem aparência de verdade, mas que não foi devidamente examinado à luz das Escrituras.

E isso é perigoso.

Porque o púlpito não é lugar de repetir o que parece bonito.

É lugar de proclamar o que é verdadeiro.

Os bereanos são elogiados porque eles não recebiam o ensino de forma passiva, mas examinavam nas Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim.

Esse deveria ser o padrão da igreja.

Mas, em muitos casos, nos tornamos apenas repetidores.

Repetimos frases.

Repetimos histórias.

Repetimos ilustrações.

Sem verificar.

Sem testar.

Sem conferir.

Você mesmo talvez já tenha ouvido aquela famosa história da águia que arranca o próprio bico, arranca as penas, se renova e volta a viver como se fosse uma fênix.

Isso não é Bíblia.

Isso não é nem biologia.

Mas já foi usado em muitos púlpitos como se fosse uma ilustração espiritual profunda.

Esse é o nível de descuido que pode acontecer quando abandonamos o compromisso com a verdade.

Por isso, é necessário dizer com clareza:

Nem tudo o que parece bíblico é bíblico.

Nem tudo o que é dito com convicção é verdadeiro.

E nem tudo o que está sendo pregado está, de fato, nas Escrituras.

Voltando à frase inicial, a forma correta de entender, à luz da Bíblia, não é:

“Deus nunca vai te dar um fardo maior do que você consegue carregar”.

Mas sim:

Deus frequentemente permite fardos maiores do que podemos carregar, para que aprendamos a depender totalmente d’Ele, e para que fique evidente que é Ele quem nos sustenta.

E isso muda tudo.

Porque tira o foco de você e coloca em Deus.

Tira o peso da sua capacidade e coloca na fidelidade d’Ele.

Tira a ilusão de controle e coloca a realidade da graça.

Se você hoje está enfrentando algo que parece maior do que você consegue suportar, a Bíblia não vai dizer que você está errado por sentir isso.

Ela vai dizer que você está exatamente no lugar onde deveria estar: um lugar de dependência.

E é nesse lugar que a graça de Deus se manifesta de forma mais clara.

Não é quando você é forte.

É quando você descobre que não é.

E é aí que Cristo se torna suficiente.

Porque, no fim das contas, a vida cristã não é sobre o quanto você aguenta.

É sobre em quem você confia.

E o Deus das Escrituras não prometeu que você nunca seria esmagado pelo peso.

Mas prometeu que, mesmo quando suas forças acabarem, Ele não acabará.

E isso, sim, está na Bíblia.

Que Deus nos Ajude!

 

(um texto de Alex Mendes)