Sabemos que a Bíblia foi
escrita num tempo onde o patriarcado imperava em todos os lugares, afinal, são
escritos que têm de dois a três milênios de idade.
A minoração do patriarcado,
pelo menos no mundo ocidental, é coisa de um século, aproximadamente. Hoje vivemos
num regime familiar mais misto, com o patriarcado se sobressaindo nalguns
lugares, o matriarcado se sobressaindo noutros e, em muitos casos, com uma
liderança/administração compartilhada entre ambos os gêneros.
Este texto não quer entrar
em méritos nem debates sobre o que é mais acertado ou não; aqui desejo apenas
mostrar como na Bíblia – ainda que com letras patriarcais – já havia a abertura
para o empreendedorismo feminino.
Em Cristo, sabemos, não há
diferenciação entre gêneros, pois que Jesus foi inclusivo para com as mulheres,
tendo feito isso num Oriente patriarcal, há dois mil anos. Ele recebia,
inclusive, sustento por parte delas, como as Escrituras atestam: Jesus ia passando
pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam
com ele, e também algumas mulheres que
haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de
quem haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de
Herodes; Suzana e muitas outras. Essas
mulheres ajudavam a sustentá-los
com os seus bens (Lucas 8:1-3). Ainda, na doutrina dos apóstolos, nos fica
bem claro que a diferenciação entre homens e mulheres tornou-se obsoleta: Todos
vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram
batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem
nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus (Gálatas 3:26-28).
Mas vamos ao texto que
fala do empreendedorismo feminino, lá no livro dos Provérbios – sim, já no
Antigo Testamento se falava disso! Uma curiosidade nada coincidente é que o
livro dos Provérbios inicia louvando a sabedoria e finaliza louvando a mulher!
Provérbios 31:10-31 nos
diz assim:
Uma esposa exemplar;
feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis.
Seu marido tem plena
confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma.
Ela só lhe faz o bem, e
nunca o mal, todos os dias da sua vida.
Escolhe a lã e o linho e
com prazer trabalha com as mãos.
Como os navios
mercantes, ela traz de longe as suas provisões.
Antes de clarear o dia
ela se levanta, prepara comida para todos os de casa, e dá tarefas às suas
servas.
Ela avalia um campo e o
compra; com o que ganha planta uma vinha.
Entrega-se com vontade
ao seu trabalho; seus braços são fortes e vigorosos.
Administra bem o seu
comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite.
Nas mãos segura o fuso e
com os dedos pega a roca.
Acolhe os necessitados e
estende as mãos aos pobres.
Não receia a neve por
seus familiares, pois todos eles vestem agasalhos.
Faz cobertas para a sua
cama; veste-se de linho fino e de púrpura.
Seu marido é respeitado
na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra.
Ela faz vestes de linho
e as vende, e fornece cintos aos comerciantes.
Reveste-se de força e
dignidade; sorri diante do futuro.
Fala com sabedoria e
ensina com amor.
Cuida dos negócios de
sua casa e não dá lugar à preguiça.
Seus filhos se levantam
e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são
exemplares, mas você a todas supera”.
A beleza é enganosa, e a
formosura é passageira; mas a mulher que teme ao SENHOR
será elogiada.
Que ela receba a
recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.
Ainda que o texto inicie
louvando a excelência da mulher como esposa e cuidadora da família,
desenrola-se mostrando-a como administradora não só da sua casa, como do seu
comércio, dos seus negócios e dos seus empreendimentos.
Este texto proverbial,
como tantos textos de sabedoria do Antigo Oriente Médio, foi escrito em forma
de poesia.
A mulher sendo vista
como empreendedora nas Escrituras – e nas mais antigas, antes mesmo de Jesus incluir
todas e todos (para usar a expressão em voga em nossos dias) na mesma
categoria: a de filhas e filhos de Deus.
Pois é... quem diria?!
Por ora é isso.
Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!
Saudações,
Kurt Hilbert

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