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domingo, 1 de março de 2026

Mulher Empreendedora na Bíblia?


 

Sabemos que a Bíblia foi escrita num tempo onde o patriarcado imperava em todos os lugares, afinal, são escritos que têm de dois a três milênios de idade.

A minoração do patriarcado, pelo menos no mundo ocidental, é coisa de um século, aproximadamente. Hoje vivemos num regime familiar mais misto, com o patriarcado se sobressaindo nalguns lugares, o matriarcado se sobressaindo noutros e, em muitos casos, com uma liderança/administração compartilhada entre ambos os gêneros.

Este texto não quer entrar em méritos nem debates sobre o que é mais acertado ou não; aqui desejo apenas mostrar como na Bíblia – ainda que com letras patriarcais – já havia a abertura para o empreendedorismo feminino.

Em Cristo, sabemos, não há diferenciação entre gêneros, pois que Jesus foi inclusivo para com as mulheres, tendo feito isso num Oriente patriarcal, há dois mil anos. Ele recebia, inclusive, sustento por parte delas, como as Escrituras atestam: Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Suzana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens (Lucas 8:1-3). Ainda, na doutrina dos apóstolos, nos fica bem claro que a diferenciação entre homens e mulheres tornou-se obsoleta: Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus (Gálatas 3:26-28).

Mas vamos ao texto que fala do empreendedorismo feminino, lá no livro dos Provérbios – sim, já no Antigo Testamento se falava disso! Uma curiosidade nada coincidente é que o livro dos Provérbios inicia louvando a sabedoria e finaliza louvando a mulher!

Provérbios 31:10-31 nos diz assim:

 

Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis.

Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma.

Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida.

Escolhe a lã e o linho e com prazer trabalha com as mãos.

Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões.

Antes de clarear o dia ela se levanta, prepara comida para todos os de casa, e dá tarefas às suas servas.

Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha.

Entrega-se com vontade ao seu trabalho; seus braços são fortes e vigorosos.

Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite.

Nas mãos segura o fuso e com os dedos pega a roca.

Acolhe os necessitados e estende as mãos aos pobres.

Não receia a neve por seus familiares, pois todos eles vestem agasalhos.

Faz cobertas para a sua cama; veste-se de linho fino e de púrpura.

Seu marido é respeitado na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra.

Ela faz vestes de linho e as vende, e fornece cintos aos comerciantes.

Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro.

Fala com sabedoria e ensina com amor.

Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça.

Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”.

A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao SENHOR será elogiada.

Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.

 

Ainda que o texto inicie louvando a excelência da mulher como esposa e cuidadora da família, desenrola-se mostrando-a como administradora não só da sua casa, como do seu comércio, dos seus negócios e dos seus empreendimentos.

Este texto proverbial, como tantos textos de sabedoria do Antigo Oriente Médio, foi escrito em forma de poesia.

A mulher sendo vista como empreendedora nas Escrituras – e nas mais antigas, antes mesmo de Jesus incluir todas e todos (para usar a expressão em voga em nossos dias) na mesma categoria: a de filhas e filhos de Deus.

Pois é... quem diria?!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

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