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domingo, 4 de outubro de 2026

Eles Vieram Num Disco Voador?


 

Jó 36:18

“Cuidado! Que ninguém o seduza com riquezas; não se deixe desviar por suborno, por maior que este seja”.

 

Foi Eliú, um dos amigos de Jó, quem disse o que está logo acima, como mote para este texto.

Mas hein?!

Não parece que esta fala cai como uma luva para o nosso tempo, para o nosso país, para a nossa gente – e para quem nos representa no poder, isto é, os políticos? Não parece que esta fala se encaixaria diretamente em alguma comissão parlamentar em Brasília ou em um palácio governamental de qualquer capital brasileira – ou mesmo naquele pequeno município vizinho seu, ou no seu mesmo?

Parece que, dadas as notícias que grassam por aí, estamos envolvidos num caos de corrupção pública/privada!

Mas vamos refletir um pouquinho, para ver como isso tudo nos toca.

A verdade é que temos uma mania quase infantil de terceirizar o caos. Quando o assunto é corrupção, vestimos imediatamente a nossa capa de virtude invisível e apontamos o dedo para o horizonte. O culpado é sempre o Excelentíssimo Senhor Deputado, o Governador, o Prefeito ou o Secretário. Falamos deles como se fossem uma casta exótica, uma espécie biológica à parte que brotou espontaneamente nos palácios de mármore.

Dia desses questionei se, na cabeça do cidadão comum, os políticos desceram na Esplanada dos Ministérios a bordo de um disco voador reluzente, vindos de uma galáxia distante e moralmente corrompida. Podemos até imaginar a cena: a nave pousando no Planalto Central, as portas se abrindo cinematograficamente e uma criatura de terno e gravata descendo, pisando em solo terráqueo com o único e exclusivo propósito de sacanear o orçamento público. Quem sabe o Presidente da República é um ET? O mesmo pode acontecer no Palácio do Governo do seu Estado, ou na Câmara de Deputados Estaduais, ou na Prefeitura e na Câmara de Vereadores. Por que não? Seriam todos ETs?

Só que não... A ficção científica termina assim que olhamos o espelho retrovisor da realidade. Eles não vieram de Marte. Não vieram de Alfa Centauri. Vieram do meio de nós. Um dia pegaram o mesmo ônibus, frequentaram a mesma padaria, estudaram nas mesmas escolas e, o mais importante, receberam o selo de autenticidade jurídica e moral através do nosso próprio voto. Não existe povo absolutamente honesto com governo corrupto, assim como não existe governo absolutamente honesto com povo corrupto. O governo é, por definição e espelhamento, a média matemática da alma de sua nação.

“Ah, mas eu sou diferente!” – brada o paladino da moralidade do alto de sua timeline nas redes sociais. “Eu sou honesto, incorruptível, incapaz de desviar um centavo nem me envolver em falcatruas!”

Será? É uma afirmação bonita! Dá até orgulho de ouvir!

Mas será que é mesmo? Topa um teste?

Se topar, vamos lá... Vamos só imaginar...

Você é um bom motorista, mas, lá pelas tantas, teve uma maré de azar e, num mesmo mês, foi flagrado por um pardal a cometer pequenas infrações de velocidade, ultrapassagens em local proibido e parada em fila dupla – esta aferida por um agente de trânsito.

Pronto! Atingiu o limite de pontos perdidos e sua carteira de habilitação dançou, além da soma de multas ser significativa.

Mas eis que você tem um conhecido – com quem você comenta o infortúnio ocorrido – que lhe dá uma informação assaz útil: ele tem um conhecido no departamento de trânsito que tem acesso ao sistema e, por uma pequena ajuda monetária simbólica, pode apagar seus dados e zerar sua pontuação infratora, além de zerar também o numerário devedor em multas – e o melhor: com total segurança, sem ninguém saber e sem ninguém poder ligar a subtração de dados a você.

E agora? O que fazer? Pagar pelos seus erros ao volante e perder sua carteira de habilitação por um bom tempo, além de pagar o valor considerável em multas ou... Ou, por um pequeno suborno, limpar sua barra? E agora? Oh, dúvida cruel...!

Sim, este é apenas um pequeno teste de virtude, uma ficção, uma metáfora... E espero que nunca ocorra com você...

Mas o teste da virtude raramente se apresenta com malas de dinheiro em hotéis cinco estrelas ou grandes esquemas de propina em contratos de infraestrutura. A vida real é muito mais sutil. O diabo da tentação não usa chifres e capa vermelha; ele costuma se vestir com a roupa de “um conhecido de um conhecido” que quer apenas nos quebrar um galho.

E aí? Será mesmo que o político desceu num disco voador ... Ou você o elegeu, à sua imagem e semelhança?

Mas hein?!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

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