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domingo, 25 de janeiro de 2026

A Evidência do Batismo Com o Espírito Santo é o Falar em Línguas?


 

Nos últimos anos tenho falado algumas vezes sobre o tema do dom de línguas, porque esse é um assunto muito presente no contexto evangélico brasileiro. A tradição pentecostal, especialmente de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã, Quadrangular, Nazareno e diversas outras comunidades continuístas, afirma que o dom de línguas continua da mesma forma que acontecia nos dias dos apóstolos.

Para muitos irmãos sinceros, aquilo que acontece nos cultos hoje, com sons desconexos, vocalizações repetitivas e expressões extáticas, seria exatamente o mesmo fenômeno que vemos em Atos 2 e em 1 Coríntios 14. Mas isso não corresponde ao ensino das Escrituras.

A primeira coisa que precisamos lembrar é que a Bíblia não fala em línguas estranhas no sentido de sons misteriosos, angelicais ou esquisitos. A palavra usada no Novo Testamento significa línguas estrangeiras, idiomas reais, inteligíveis, apenas desconhecidos para quem falava. Em Atos 2 isso aparece com absoluta clareza. Cada pessoa ouvia os discípulos “falando em seu próprio idioma”. O texto chega até a listar as nações envolvidas. Nada ali é estático ou caótico, é milagre sim, mas milagre linguístico, não mantras religiosos.

Outro ponto fundamental é entender o sentido de 1 Coríntios 14. Paulo diz que “quem fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus, porque ninguém o entende”. Muitos usam esse versículo para justificar que a língua é um idioma celestial secreto. Mas Paulo não está dizendo isso. Ele está dizendo que, quando alguém fala um idioma que ninguém na congregação conhece, ninguém consegue entender, então a comunicação vertical é apenas com Deus, que conhece todos os idiomas.

Se eu entrar em uma igreja aqui em Piracicaba e começar a falar em mandarim ou em holandês, ninguém vai entender, então no sentido prático, eu não estaria falando aos homens, mas apenas Deus entenderia. É isso que Paulo está ensinando. Ele não está criando um idioma celestial próprio, mas mostrando o problema de alguém falar uma língua estrangeira sem interpretação dentro da assembleia.

Além disso, Paulo deixa claro que as línguas deveriam ser usadas apenas com interpretação e sempre com ordem. Dois ou três, um de cada vez, e se não houvesse intérprete deveria ficar calado. Isso elimina completamente a prática moderna das igrejas pentecostais onde várias pessoas falam ao mesmo tempo, sem ordem e sem interpretação. Não são sugestões de Paulo, são ordens apostólicas. A igreja não pode simplesmente ignorá-las.

Mas há outra questão ainda mais ampla que muitos não percebem. As pessoas assumem que o dom de línguas de Atos 2 e de 1 Coríntios 14 é o mesmo fenômeno que elas praticam hoje, e que esse dom teria atravessado toda a história da igreja intacto. Mas isso não corresponde à Bíblia. Quando lemos o livro de Atos percebemos que as línguas tinham um papel específico e histórico, ligado diretamente ao avanço do evangelho.

Jesus disse que os discípulos seriam suas testemunhas em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra. Essa progressão aparece no livro de Atos e, em cada marco desse avanço, o Espírito Santo confirma seu movimento. Primeiro entre os judeus em Jerusalém, depois na Judeia, depois entre os samaritanos em Samaria, e por fim entre os gentios representados por Cornélio.

Esse episódio de Cornélio é tão importante que Atos dedica dois capítulos inteiros para explicar o que estava acontecendo. Ali o Espírito Santo se manifesta da mesma forma porque Deus estava mostrando publicamente que os gentios tinham sido incluídos no mesmo corpo e na mesma promessa.

Depois de Cornélio, o dom de línguas não aparece mais como fenômeno recorrente na vida da igreja. Ele tinha um propósito, e esse propósito foi cumprido. Esse ponto é fundamental para desmontar a ideia de uma suposta segunda bênção, que afirma que o cristão se converte e, depois, em um momento posterior, recebe o batismo com o Espírito Santo e como prova fala em línguas. Isso não existe na Bíblia.

O Novo Testamento afirma que todo crente é selado com o Espírito Santo no momento da conversão. Ele é regenerado, justificado e adotado como filho de Deus, e o Espírito Santo passa a habitar nele como selo e garantia. O que existe depois da conversão é crescimento na santificação, amadurecimento espiritual, combate ao pecado e perseverança, mas não uma segunda experiência que transforme um crente comum em um crente de segunda etapa.

Também é importante lembrar que a ideia de língua dos anjos não encontra fundamento bíblico real. Paulo em 1 Coríntios 13 usa uma hipérbole evidente. Ele diz ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, ou seja, mesmo que eu tivesse domínio de todos os idiomas humanos e celestiais, sem amor não teria valor. Ele não está dizendo que fala tais línguas. E, na Escritura, todas as vezes que anjos falaram com seres humanos, falaram claramente na língua que a pessoa entendia. Não existe nenhum exemplo de fala angelical ininteligível.

Agora, existe outro aspecto pastoral extremamente importante. Muitos irmãos que acreditam possuir esse dom não fazem isso por maldade. Eles apenas reproduzem aquilo que aprenderam desde sempre. Pessoas que cresceram em igrejas pentecostais escutam desde criança esses sons durante o culto. O ambiente emocional, a liturgia, o exemplo dos líderes e a carga coletiva criam um tipo de condicionamento natural. Esse fenômeno ocorre também em religiões pagãs, seitas e grupos místicos.

No momento de emoção intensa, o cérebro reproduz aquilo que memorizou. Eu já conversei com cristãos sinceros que praticavam essas vocalizações e que, depois de estudarem a Bíblia com mais profundidade, perceberam que não se tratava de um dom espiritual, mas simplesmente de sons aprendidos e repetidos durante anos. E eles mesmos confessaram isso com sinceridade.

Reconhecer isso não diminui a fé dessas pessoas, pelo contrário, mostra como a sinceridade precisa estar unida à verdade. A sinceridade sem verdade pode levar a práticas bem intencionadas, mas equivocadas. Por isso nosso compromisso precisa ser sempre com a Palavra e não com tradições humanas, por mais emocionantes que sejam.

O que vemos nas igrejas hoje não é o mesmo fenômeno de Atos e nem segue as regras claras que Paulo estabeleceu. Se fosse o mesmo dom, ainda assim teria de ser usado com ordem, com interpretação e com restrição, algo que claramente não ocorre. E se não é o mesmo dom, então é ainda mais grave, porque se usa o nome do Espírito Santo para validar práticas que não têm apoio bíblico.

Por isso, o chamado aqui é simples e amoroso. Examine as Escrituras com profundidade. Coloque a Palavra de Deus acima da emoção, acima da tradição, acima do costume. O verdadeiro mover do Espírito nunca contradiz a Bíblia que Ele mesmo inspirou. Que nossa fé seja firme, que nosso culto seja bíblico e que nosso coração esteja ancorado na verdade.

Que Deus nos ajude!

 

(um texto de Alex Mendes)

domingo, 18 de janeiro de 2026

O Trabalho no Evangelho


 

1º Timóteo 4:10

Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.

 

Nesta carta dirigida ao seu pupilo Timóteo – e em especial neste versículo –, o apóstolo Paulo fala de si, fala também dos demais apóstolos de Jesus, seus colegas de missão apostólica, daqueles que haviam sido designados e enviados a ajudar a fomentar o crescimento das comunidades que haviam sido fundadas e, por tabela, ele fala de todos aqueles irmãos e irmãs daquele tempo que, de alguma forma, faziam algo pela divulgação do Evangelho, para que mais pessoas cressem e aderissem.

Da mesma forma, esta Palavra chega a nós, tendo o mesmo sentido, falando também para nós. E não se dirige somente àqueles que têm a tarefa “formal”, por assim dizer, de anunciar o Evangelho, mas também a todos aqueles que creem e decidem contribuir para essa difusão.

Entre esses “informais” eu me incluo, e podem ser incluídos todos aqueles que foram tocados pela graça do Senhor e decidem colaborar neste mesmo intuito.

Todos nós – quem quer que seja –, para fazermos algo neste sentido, temos que ter esperança em algo. Aqui, no caso, há a esperança de que a mensagem alcance quem a lê e possa, de alguma forma, ajudar quem a lê.

Mas, assim como Paulo diz a Timóteo, também a minha esperança não está em mim mesmo como divulgador; a esperança não está em minha capacidade escritora, argumentativa e persuasiva. De mim mesmo sei que não poderia fazer nada. Não sou eu quem “transforma a água em vinho”.

E, por falar em “transformar água em vinho” – que foi o primeiro milagre registrado de Jesus –, deixe-me trazer uma visão ilustrativa a este respeito.

Primeiro, no entanto, vamos relembrar o texto de João 2:1-11, que traz esta história:

No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.

Respondeu Jesus: “Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou”.

Sua mãe disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele lhes mandar”.

Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros.

Disse Jesus aos serviçais: “Encham os potes com água”. E os encheram até a borda.

Então lhes disse: “Agora, levem um pouco ao encarregado da festa”.

Eles assim fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo e disse: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”.

Este sinal miraculoso, em Caná da Galileia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

Pois bem, agora vamos à visão ilustrativa a respeito desta história: O que aprendo com esta passagem? Muitos, ao pregarem o Evangelho a alguém – seja no púlpito, seja numa visita familiar, seja num encontro fortuito –, desejam convencer as pessoas a crerem. Muitos desejam, usando argumentos persuasivos e convincentes, fazer com que o outro saia desse encontro convicto, transformado – ou convertido – de um antigo descrente para um novo crente. Ao tentarem fazer isso, muitas vezes forçam a barra, tornam-se imponentes e inoportunos e, não raras vezes, tornam-se inconvenientes, despertando repulsa em quem ouve. Mas não é isso que aprendo neste milagre de Jesus. O que aprendo é o seguinte: Tal qual os serviçais, minha tarefa é apenas encher os potes de água. Espiritualmente falando, minha tarefa é apenas compartilhar o Evangelho, fazendo-o chegar a quem o ouve ou lê. Não é minha tarefa transformar a água em vinho, isto é, convencer. Transformar a água em vinho, convencer e promover a conversão, é trabalho de Jesus Cristo por intermédio do Seu Santo Espírito, a tocar o pote/coração daquela pessoa. Isso Ele faz em cima da Palavra/Evangelho que compartilho. O milagre quem faz não sou eu – é Jesus. A mim é dado o privilégio de participar do processo.

Então, para concluir, também posso dizer como Paulo diz, que aí está a minha esperança: no Deus vivo, o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.

Assim, trabalhar no Evangelho é um privilégio!

E é um trabalho que não é trabalho, antes, é um ato voluntário, altruísta e uma força interior que me move!

E eu o faço com alegria e uma incontrolável impulsão que, sei, só pode vir do Espírito do Senhor!

Tudo vem do Senhor, graças a Deus!

“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma (João 15:5).

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 11 de janeiro de 2026

Conhecimento e Percepção


 

Filipenses 1:9-11

Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção.

 

Sabemos que a Palavra de Deus é essencialmente uma Pessoa: Jesus Cristo. Este ensinamento nos vem de forma clara e inequívoca pelo Evangelho escrito pelo apóstolo João: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram (João 1:1-5). E ele acrescenta: Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus (João 1:10-13).  E conclui: Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14).

O que está dito no parágrafo acima, portanto, nos traz o conceito exato da Palavra e, assim, o fato de tudo na Bíblia ter que estar alinhado com Jesus para ser efetivamente Palavra de Deus, isto é, o que se coaduna com Jesus é Palavra eterna, e o que difere de Jesus – de Seus exemplos e ensinamentos – é tão-somente informação de contexto.

Dito isto, também sabemos que os fundamentos da Palavra de Deus são encontrados na Bíblia – o próprio Jesus e Sua doutrina/vida conhecemos através da Bíblia. Portanto, quando dizemos que a Palavra de Deus é encontrada na Bíblia, estamos falando o que é certo e coerente.

Seguindo este princípio, voltemos ao que diz o apóstolo Paulo à igreja em Filipos: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção. O apóstolo também orava para que isso sucedesse, demonstrando que o querer humano em aumentar o amor em conhecimento e percepção só teria êxito se houvesse a efetiva colaboração divina nesta empreitada.

Em sendo a Bíblia o nascedouro palpável da Palavra – digo “palpável”, pois o nascedouro essencial é o Espírito, mas Este não é palpável, ainda que seja “perceptível” –, toda a pregação deve se dar com base bíblica.

Sabemos, pela Bíblia, que a fé vem pela pregação: Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo (Romanos 10:17). E, ainda, sabemos pela mesma fonte que “checar a fonte” deve ser um ato contínuo de todo aquele que ouve a pregação: Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (Atos 17:11). E não é apenas uma questão de checar se uma determinada citação se encontra na Bíblia, mas buscar verificar se está dentro do contexto, pois citações isoladas e retiradas do contexto são manipuláveis e podem ser nocivamente adaptadas para “dizerem” o que não dizem.

Assim, nos é confirmado pelas próprias Escrituras que não pode nem deve haver pregação contrária às Escrituras!

O apóstolo Paulo fala que a sua oração é que haja cada vez mais conhecimento. Este conhecimento vem por se buscar a Palavra nas Escrituras, por se dedicar algum tempo a ela; melhor ainda é se este tempo puder ser diário! O apóstolo segue dizendo que isso aumenta o conhecimento cada vez mais, pois, quanto mais nos aprofundamos  nas Escrituras, tanto mais conhecemos!

Jesus mesmo nos alerta sobre o conhecer as Escrituras, e como isso nos previne de sermos enganados: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Mateus 22:29). Sim, conhecer evita o engano e o erro! O profeta Oséias já advertia e esse respeito: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento (Oséias 4:6).

 Voltando ao raciocínio: Quanto mais lemos a Bíblia, mais conhecemos, e quanto mais conhecemos, maior será a nossa percepção!

E como se dá isso?

Primeiro, antes de ler, é importante que oremos para que o Senhor nos “fale” por Sua Palavra e, justamente, nos faça “percebermos” o que Ele nos quer dizer. Costumo orar mais ou menos nestas palavras e neste sentido: “Senhor, escreva a Tua Palavra em meu coração, em minha mente, em minha alma, em meu ser; fala-me outra vez pela leitura da Bíblia”.

Lembro que Jesus fez com que Seus discípulos discernissem o que havia a respeito d’Ele nas Escrituras: E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras (Lucas 24:27).

A Palavra é dinâmica e serve para o nosso dia a dia: Pois a palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12).

Quando lemos com atenção, oração e comunhão, percebemos a “mensagem” para nós, útil e aplicável. Ela nos serve para aquele momento. Ainda, nos serve para compreendermos momentos passados, e nos prepara para momentos futuros.

A Palavra nos alimenta espiritualmente, e deste alimento decorre o que o apóstolo Paulo descreve: o nosso amor aumenta!

Por um lado, aumenta o nosso amor pela própria Palavra em si: A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho (Salmo 119:105).

Por outro, com base no que discernimos pela Palavra, aumenta nosso amor a Deus, nosso amor próprio e nosso amor ao próximo, pois desse amor a própria Palavra também depende, como Jesus ensina: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas (Mateus 22:37-40).

Isso responde a uma pergunta que podemos eventualmente fazer: Como aumentará o nosso amor? E a resposta é: Pelo aprofundamento na Palavra de Deus!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 4 de janeiro de 2026

Você Já Perdoou o Mundo?


 

Deus perdoou o mundo, pois, em Cristo, o reconciliou consigo mesmo.

A questão é: você também já perdoou o mundo?

A gente fica sempre falando em perdoar o irmão. Mas, para perdoar o irmão, eu tenho que antes perdoar o mundo.

Boa parte de nossas raivas e ressentimentos vêm daquilo que a gente chama de “perversidades da vida”, ou também de “injustiças do mundo”, ou ainda de “catástrofes malignas”.

O fato é que nossos ressentimentos são mais profundos do que sabemos. As pessoas têm raiva de onde nasceram, da família que tiveram, da condição econômica na qual viveram, das lutas e durezas da sobrevivência, de defeitos físicos ou de malignidades que caem na forma de tragédias...

Há também aqueles que, apesar de ricos, preferissem ter nascido pobres se, na troca, viessem pais amorosos, e não os distantes e indiferentes que possuem.

Então, alguns culpam o Estado, outros a História, outros a Religião, outros o país, a raça, o continente, a nação, o povo, os pais, os irmãos, os vizinhos e quem passar por perto.

Mas essa raiva é raiva do mundo e das injustiças que nele nos acontecem.

O mundo que eu tenho que amar é a criação. O mundo que eu tenho que não-amar é o sistema de injustiças e iniquidades. E o mundo que eu tenho que perdoar é o meu mundo, feito de humanos como eu, e que deliberada ou inconscientemente pratica o que eu pratico.

Eu tenho que perdoar a humanidade a fim de poder me perdoar e entender o meu irmão.

Quando todo o ressentimento do mundo é tirado de nós, o coração começa a não ter mais reclamações a fazer.

Aqui acaba a raiz de toda autopiedade, que é também o fundamento de todo ressentimento e o gerador de todas as invejas.

Todo invejoso é um ser ressentido com o mundo, com as oportunidades que acha que não teve, enquanto outros tiveram; com os dons e talentos que outros possuem, enquanto a mesma coisa não lhe acontece nem com muito esforço; com qualquer coisa que aconteça ao outro e a pessoa julgue que não era para o outro... Ou por você se achar melhor que o outro ou por se julgar bom demais e, ainda assim, não ter o que deseja, de tal modo que quem quer que tenha o objeto do desejo de tal pessoa passará a ser objeto de inveja, que é, de fato, ressentimento com o mundo e, no fim da linha, raiva de Deus.

Deus não me deve nada. Ele me deu a vida; o que mais desejo? Ele me redimiu antes de me criar; o que mais desejo? Ele me dá fé quando não há razão nenhuma para confiar; o que mais desejo?

Eu sou uma orgia de graça divina; sou a migalha do eterno banquete; sou... nada e, ao mesmo tempo, sou parte do significado de tudo o que existe.

Meu Deus! Que posso eu mais querer? O Senhor é a minha porção e o meu cálice.

O Senhor é o meu Pastor e de nada me ressentirei, e de ninguém terei inveja.

Deus se reconciliou com o mundo em Cristo?

Se assim é, a fim de que eu possa ser Seu embaixador, preciso também ter perdoado o mundo todo. Só assim chego reconciliado a fim de anunciar a reconciliação.

Somente gente reconciliada com Deus e com a humanidade pode levar Boa Nova na vida e na boca. Do contrário, até a fala sobre amor tem cheiro de ódio disfarçado de bondade.

Quem lê entenda!

 

(um texto de Caio Fábio D’Araújo Filho)