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domingo, 11 de janeiro de 2026

Conhecimento e Percepção


 

Filipenses 1:9-11

Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção.

 

Sabemos que a Palavra de Deus é essencialmente uma Pessoa: Jesus Cristo. Este ensinamento nos vem de forma clara e inequívoca pelo Evangelho escrito pelo apóstolo João: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram (João 1:1-5). E ele acrescenta: Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus (João 1:10-13).  E conclui: Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14).

O que está dito no parágrafo acima, portanto, nos traz o conceito exato da Palavra e, assim, o fato de tudo na Bíblia ter que estar alinhado com Jesus para ser efetivamente Palavra de Deus, isto é, o que se coaduna com Jesus é Palavra eterna, e o que difere de Jesus – de Seus exemplos e ensinamentos – é tão-somente informação de contexto.

Dito isto, também sabemos que os fundamentos da Palavra de Deus são encontrados na Bíblia – o próprio Jesus e Sua doutrina/vida conhecemos através da Bíblia. Portanto, quando dizemos que a Palavra de Deus é encontrada na Bíblia, estamos falando o que é certo e coerente.

Seguindo este princípio, voltemos ao que diz o apóstolo Paulo à igreja em Filipos: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção. O apóstolo também orava para que isso sucedesse, demonstrando que o querer humano em aumentar o amor em conhecimento e percepção só teria êxito se houvesse a efetiva colaboração divina nesta empreitada.

Em sendo a Bíblia o nascedouro palpável da Palavra – digo “palpável”, pois o nascedouro essencial é o Espírito, mas Este não é palpável, ainda que seja “perceptível” –, toda a pregação deve se dar com base bíblica.

Sabemos, pela Bíblia, que a fé vem pela pregação: Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo (Romanos 10:17). E, ainda, sabemos pela mesma fonte que “checar a fonte” deve ser um ato contínuo de todo aquele que ouve a pregação: Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (Atos 17:11). E não é apenas uma questão de checar se uma determinada citação se encontra na Bíblia, mas buscar verificar se está dentro do contexto, pois citações isoladas e retiradas do contexto são manipuláveis e podem ser nocivamente adaptadas para “dizerem” o que não dizem.

Assim, nos é confirmado pelas próprias Escrituras que não pode nem deve haver pregação contrária às Escrituras!

O apóstolo Paulo fala que a sua oração é que haja cada vez mais conhecimento. Este conhecimento vem por se buscar a Palavra nas Escrituras, por se dedicar algum tempo a ela; melhor ainda é se este tempo puder ser diário! O apóstolo segue dizendo que isso aumenta o conhecimento cada vez mais, pois, quanto mais nos aprofundamos  nas Escrituras, tanto mais conhecemos!

Jesus mesmo nos alerta sobre o conhecer as Escrituras, e como isso nos previne de sermos enganados: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Mateus 22:29). Sim, conhecer evita o engano e o erro! O profeta Oséias já advertia e esse respeito: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento (Oséias 4:6).

 Voltando ao raciocínio: Quanto mais lemos a Bíblia, mais conhecemos, e quanto mais conhecemos, maior será a nossa percepção!

E como se dá isso?

Primeiro, antes de ler, é importante que oremos para que o Senhor nos “fale” por Sua Palavra e, justamente, nos faça “percebermos” o que Ele nos quer dizer. Costumo orar mais ou menos nestas palavras e neste sentido: “Senhor, escreva a Tua Palavra em meu coração, em minha mente, em minha alma, em meu ser; fala-me outra vez pela leitura da Bíblia”.

Lembro que Jesus fez com que Seus discípulos discernissem o que havia a respeito d’Ele nas Escrituras: E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras (Lucas 24:27).

A Palavra é dinâmica e serve para o nosso dia a dia: Pois a palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12).

Quando lemos com atenção, oração e comunhão, percebemos a “mensagem” para nós, útil e aplicável. Ela nos serve para aquele momento. Ainda, nos serve para compreendermos momentos passados, e nos prepara para momentos futuros.

A Palavra nos alimenta espiritualmente, e deste alimento decorre o que o apóstolo Paulo descreve: o nosso amor aumenta!

Por um lado, aumenta o nosso amor pela própria Palavra em si: A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho (Salmo 119:105).

Por outro, com base no que discernimos pela Palavra, aumenta nosso amor a Deus, nosso amor próprio e nosso amor ao próximo, pois desse amor a própria Palavra também depende, como Jesus ensina: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas (Mateus 22:37-40).

Isso responde a uma pergunta que podemos eventualmente fazer: Como aumentará o nosso amor? E a resposta é: Pelo aprofundamento na Palavra de Deus!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 4 de janeiro de 2026

Você Já Perdoou o Mundo?


 

Deus perdoou o mundo, pois, em Cristo, o reconciliou consigo mesmo.

A questão é: você também já perdoou o mundo?

A gente fica sempre falando em perdoar o irmão. Mas, para perdoar o irmão, eu tenho que antes perdoar o mundo.

Boa parte de nossas raivas e ressentimentos vêm daquilo que a gente chama de “perversidades da vida”, ou também de “injustiças do mundo”, ou ainda de “catástrofes malignas”.

O fato é que nossos ressentimentos são mais profundos do que sabemos. As pessoas têm raiva de onde nasceram, da família que tiveram, da condição econômica na qual viveram, das lutas e durezas da sobrevivência, de defeitos físicos ou de malignidades que caem na forma de tragédias...

Há também aqueles que, apesar de ricos, preferissem ter nascido pobres se, na troca, viessem pais amorosos, e não os distantes e indiferentes que possuem.

Então, alguns culpam o Estado, outros a História, outros a Religião, outros o país, a raça, o continente, a nação, o povo, os pais, os irmãos, os vizinhos e quem passar por perto.

Mas essa raiva é raiva do mundo e das injustiças que nele nos acontecem.

O mundo que eu tenho que amar é a criação. O mundo que eu tenho que não-amar é o sistema de injustiças e iniquidades. E o mundo que eu tenho que perdoar é o meu mundo, feito de humanos como eu, e que deliberada ou inconscientemente pratica o que eu pratico.

Eu tenho que perdoar a humanidade a fim de poder me perdoar e entender o meu irmão.

Quando todo o ressentimento do mundo é tirado de nós, o coração começa a não ter mais reclamações a fazer.

Aqui acaba a raiz de toda autopiedade, que é também o fundamento de todo ressentimento e o gerador de todas as invejas.

Todo invejoso é um ser ressentido com o mundo, com as oportunidades que acha que não teve, enquanto outros tiveram; com os dons e talentos que outros possuem, enquanto a mesma coisa não lhe acontece nem com muito esforço; com qualquer coisa que aconteça ao outro e a pessoa julgue que não era para o outro... Ou por você se achar melhor que o outro ou por se julgar bom demais e, ainda assim, não ter o que deseja, de tal modo que quem quer que tenha o objeto do desejo de tal pessoa passará a ser objeto de inveja, que é, de fato, ressentimento com o mundo e, no fim da linha, raiva de Deus.

Deus não me deve nada. Ele me deu a vida; o que mais desejo? Ele me redimiu antes de me criar; o que mais desejo? Ele me dá fé quando não há razão nenhuma para confiar; o que mais desejo?

Eu sou uma orgia de graça divina; sou a migalha do eterno banquete; sou... nada e, ao mesmo tempo, sou parte do significado de tudo o que existe.

Meu Deus! Que posso eu mais querer? O Senhor é a minha porção e o meu cálice.

O Senhor é o meu Pastor e de nada me ressentirei, e de ninguém terei inveja.

Deus se reconciliou com o mundo em Cristo?

Se assim é, a fim de que eu possa ser Seu embaixador, preciso também ter perdoado o mundo todo. Só assim chego reconciliado a fim de anunciar a reconciliação.

Somente gente reconciliada com Deus e com a humanidade pode levar Boa Nova na vida e na boca. Do contrário, até a fala sobre amor tem cheiro de ódio disfarçado de bondade.

Quem lê entenda!

 

(um texto de Caio Fábio D’Araújo Filho)