Filipenses
1:9-11
Esta é a minha oração:
Que o amor de vocês aumente cada vez
mais em conhecimento e em toda a percepção.
Sabemos que a Palavra de
Deus é essencialmente uma Pessoa: Jesus Cristo. Este ensinamento nos vem de
forma clara e inequívoca pelo Evangelho escrito pelo apóstolo João: No princípio
era aquele que é a Palavra. Ele estava
com Deus, e era Deus. Ele estava com
Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha
nas trevas, e as trevas não a derrotaram (João 1:1-5). E ele
acrescenta: Aquele que é a Palavra estava
no mundo, e o mundo foi feito por intermédio
dele, mas o mundo não o reconheceu.
Veio para o que era seu, mas os seus não
o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não
nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade
de algum homem, mas nasceram de Deus (João 1:10-13). E conclui: Aquele que é a Palavra
tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos
a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade
(João 1:14).
O que está dito no
parágrafo acima, portanto, nos traz o conceito exato da Palavra e, assim, o
fato de tudo na Bíblia ter que estar alinhado com Jesus para ser efetivamente
Palavra de Deus, isto é, o que se coaduna com Jesus é Palavra eterna, e o que
difere de Jesus – de Seus exemplos e ensinamentos – é tão-somente informação de
contexto.
Dito isto, também sabemos
que os fundamentos da Palavra de Deus são encontrados na Bíblia – o próprio
Jesus e Sua doutrina/vida conhecemos através da Bíblia. Portanto, quando
dizemos que a Palavra de Deus é encontrada na Bíblia, estamos falando o que é
certo e coerente.
Seguindo este princípio,
voltemos ao que diz o apóstolo Paulo à igreja em Filipos: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção.
O apóstolo também orava para que isso sucedesse, demonstrando que o querer humano
em aumentar o amor em conhecimento e percepção só teria êxito se houvesse a
efetiva colaboração divina nesta empreitada.
Em sendo a Bíblia o
nascedouro palpável da Palavra – digo “palpável”, pois o nascedouro essencial é
o Espírito, mas Este não é palpável, ainda que seja “perceptível” –, toda a
pregação deve se dar com base bíblica.
Sabemos, pela Bíblia,
que a fé vem pela pregação: Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo (Romanos 10:17). E, ainda, sabemos pela
mesma fonte que “checar a fonte” deve ser um ato contínuo de todo aquele que ouve
a pregação: Os bereanos eram
mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim
mesmo (Atos 17:11). E não é apenas uma questão de checar se uma determinada
citação se encontra na Bíblia, mas buscar verificar se está dentro do contexto,
pois citações isoladas e retiradas do contexto são manipuláveis e podem ser
nocivamente adaptadas para “dizerem” o que não dizem.
Assim, nos é confirmado
pelas próprias Escrituras que não pode nem deve haver pregação contrária às
Escrituras!
O apóstolo Paulo fala
que a sua oração é que haja cada vez mais conhecimento. Este conhecimento vem
por se buscar a Palavra nas Escrituras, por se dedicar algum tempo a ela;
melhor ainda é se este tempo puder ser diário! O apóstolo segue dizendo que
isso aumenta o conhecimento cada vez mais, pois, quanto mais nos
aprofundamos nas Escrituras, tanto mais
conhecemos!
Jesus mesmo nos alerta
sobre o conhecer as Escrituras, e como isso nos previne de sermos enganados: “Vocês
estão enganados porque não conhecem as Escrituras
nem o poder de Deus!” (Mateus 22:29). Sim, conhecer evita o engano e o
erro! O profeta Oséias já advertia e esse respeito: “Meu povo foi destruído por falta de conhecimento” (Oséias 4:6).
Voltando ao raciocínio: Quanto mais lemos a
Bíblia, mais conhecemos, e quanto mais conhecemos, maior será a nossa
percepção!
E como se dá isso?
Primeiro, antes de ler,
é importante que oremos para que o Senhor nos “fale” por Sua Palavra e, justamente,
nos faça “percebermos” o que Ele nos quer dizer. Costumo orar mais ou menos
nestas palavras e neste sentido: “Senhor, escreva a Tua Palavra em meu coração,
em minha mente, em minha alma, em meu ser; fala-me outra vez pela leitura da
Bíblia”.
Lembro que Jesus fez com
que Seus discípulos discernissem o que havia a respeito d’Ele nas Escrituras: E
começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as
Escrituras (Lucas 24:27).
A Palavra é dinâmica e
serve para o nosso dia a dia: Pois a
palavra de Deus é viva e eficaz
(Hebreus 4:12).
Quando lemos com
atenção, oração e comunhão, percebemos a “mensagem” para nós, útil e aplicável.
Ela nos serve para aquele momento. Ainda, nos serve para compreendermos momentos
passados, e nos prepara para momentos futuros.
A Palavra nos alimenta
espiritualmente, e deste alimento decorre o que o apóstolo Paulo descreve: o
nosso amor aumenta!
Por um lado, aumenta o
nosso amor pela própria Palavra em si: A
tua palavra é lâmpada que ilumina
os meus passos e luz que clareia
o meu caminho (Salmo 119:105).
Por outro, com base no
que discernimos pela Palavra, aumenta nosso amor a Deus, nosso amor próprio e
nosso amor ao próximo, pois desse amor a própria Palavra também depende, como
Jesus ensina: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua
alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo
é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”
(Mateus 22:37-40).
Isso responde a uma
pergunta que podemos eventualmente fazer: Como aumentará o nosso amor? E a
resposta é: Pelo aprofundamento na Palavra de Deus!
Por ora é isso.
Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!
Saudações,
Kurt Hilbert

