1º
Coríntios 9:16
Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai
de mim se não pregar o evangelho!
Por um bocado de tempo eu
não consegui entender esta afirmação do apóstolo Paulo, quando ele diz que lhe é imposta a necessidade de pregar. Mais tarde, porém, entendi – e me lembrei
de Jesus dizendo a Pedro, sobre a momentânea incompreensão de algo: “Você
não compreende agora o que estou lhe
fazendo; mais tarde, porém, entenderá” (João 13:7). Sim, chega
uma hora em que entenderemos o que temos que entender, e foi assim comigo em
relação a esta declaração de Paulo.
O apóstolo falava que não podia se orgulhar de pregar o Evangelho, como
se esta obra fosse sua, como se fosse simples escolha sua, como se fosse pela
sua capacidade oratória e de persuasão que o fazia, trazendo após si centenas
de novos discípulos convertidos a Cristo. Em não se orgulhando do que fazia,
confessava-se, por si só, impotente para este serviço.
Ainda, este afazer agora lhe era imposto, por impulsionamento do Espírito
em sua pessoa, e também, de certa forma, em reposta ao amor de Cristo que o
encontrara naquele fatídico caminho em direção a Damasco. Paulo agora sabia o
que de si era esperado: que ele fosse um compartilhador daquilo que o Senhor
lhe dera, a saber, a revelação de Jesus Cristo! Paulo não se considerava alguém
digno de elogio, apenas alguém que tinha o privilégio de cumprir um dever que o
Senhor lhe dera!
Paulo sabe que Deus o impulsionou a pregar o Evangelho. Este agora era um
dever divinamente outorgado – por isso diz que me é imposta a necessidade de pregar.
Paulo sabe, também, que não há glória pessoal nisso. Ele não é digno de
receber nenhum elogio por este trabalho, posto que o mesmo é inspirado e
revelado pelo Espírito. Ele teria mérito se tudo isso partisse dele, mas, como
sabe que de si nada partiu, atribui toda a glória ao Senhor! E se sente grato
por Deus lhe ter atribuído essa tarefa.
E agora, algo muito peculiar nisso tudo: Paulo sabe que pode sofrer
punição se não o fizer! Sim, e trato de esclarecer esse ponto da melhor forma
que posso, a fim de deixar bem compreendido e não passível de má interpretação.
O parágrafo anterior se começa a entender quando olhamos com discernimento
e sabedoria para esta declaração: Ai de mim se não pregar
o evangelho!
“Ai de mim” pressupõe castigo, penalização, consequências... e é isso
mesmo!
Mas, ao contrário do que possa parecer quando olhado de forma rápida e
superficial, esta declaração não teme um castigo divino, mas, sim, uma
consequência autoprovocada em caso de esta tarefa ser negligenciada. E aqui
está o ponto alto desta compreensão: a de que o descumprimento de um mandamento
sempre provoca ao descumpridor uma consequência autoimposta.
É como se o apóstolo compreendesse – acertadamente – que o principal
prejudicado seria ele mesmo, uma vez que compreende que o primeiro beneficiado
pelo anúncio do Evangelho é ele próprio.
Sim, por isso que anunciar o Evangelho é um privilégio! Quem o anuncia é
o primeiro a comer do seu fruto!
Lá no início do texto eu disse que por muito tempo não eu compreendera
esta declaração paulina. Agora, decorridos estes poucos parágrafos, creio que você
compreenda por que passo a compreendê-la.
Por aproximadamente quinze anos eu exerci um cargo – voluntário e não remunerado
– em uma denominação eclesiástica. Entre outras atribuições que tinha, a de
pregar era uma. Depois do meu desligamento deste cargo pensei em largar de mão
tudo isso. Deparei-me, no entanto, com esta declaração da Palavra: Os dons e o chamado de
Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). E ainda: Faça a obra de um evangelista,
cumpra plenamente o seu ministério (2º Timóteo 4:5). Ora, tudo isso dizia
respeito a mim, eu sabia! Mas claudiquei bastante até conscientizar-me disso
plenamente.
Sim, cambaleei um bocado
por aí, tateando na Verdade entre uma queda e outra, entre um levantar e
outro... até que caiu a ficha, deu-se a conexão, e a revelação me pareceu
clara!
Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis e a obra de um evangelista é
atender a este chamado, saber que os dons são de Deus emprestados a mim e,
assim, torna-se irrevogável também a mim a necessidade de pregar o Evangelho!
Pegando emprestado outro discernimento do apóstolo Paulo, não
me envergonho do evangelho, porque é o
poder de Deus para a salvação de
todo aquele que crê [...] porque no evangelho é revelada a justiça de Deus,
uma justiça que do princípio ao fim é pela
fé (Romanos
1:16-17), e sei que tudo isso diz respeito a mim e ao que eu faço – e não quero
deixar de fazê-lo!
Sim,
entendo perfeitamente o que diz o apóstolo Paulo quando diz o que diz...
Espero
que você, que aqui me dá a honra de ler estas linhas, também entenda...
Quem
sabe você não faz parte deste time também?
Seja
como for, saiba que o Senhor tem algo único para você, para cada um de nós!
Os planos do SENHOR
permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações
(Salmo 33:11).
Por ora é isso.
Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!
Saudações,
Kurt Hilbert

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