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domingo, 30 de novembro de 2025

A Necessidade de Pregar


 

1º Coríntios 9:16

Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho!

 

Por um bocado de tempo eu não consegui entender esta afirmação do apóstolo Paulo, quando ele diz que lhe é imposta a necessidade de pregar. Mais tarde, porém, entendi – e me lembrei de Jesus dizendo a Pedro, sobre a momentânea incompreensão de algo: “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá (João 13:7). Sim, chega uma hora em que entenderemos o que temos que entender, e foi assim comigo em relação a esta declaração de Paulo.

O apóstolo falava que não podia se orgulhar de pregar o Evangelho, como se esta obra fosse sua, como se fosse simples escolha sua, como se fosse pela sua capacidade oratória e de persuasão que o fazia, trazendo após si centenas de novos discípulos convertidos a Cristo. Em não se orgulhando do que fazia, confessava-se, por si só, impotente para este serviço.

Ainda, este afazer agora lhe era imposto, por impulsionamento do Espírito em sua pessoa, e também, de certa forma, em reposta ao amor de Cristo que o encontrara naquele fatídico caminho em direção a Damasco. Paulo agora sabia o que de si era esperado: que ele fosse um compartilhador daquilo que o Senhor lhe dera, a saber, a revelação de Jesus Cristo! Paulo não se considerava alguém digno de elogio, apenas alguém que tinha o privilégio de cumprir um dever que o Senhor lhe dera!

Paulo sabe que Deus o impulsionou a pregar o Evangelho. Este agora era um dever divinamente outorgado – por isso diz que me é imposta a necessidade de pregar.

Paulo sabe, também, que não há glória pessoal nisso. Ele não é digno de receber nenhum elogio por este trabalho, posto que o mesmo é inspirado e revelado pelo Espírito. Ele teria mérito se tudo isso partisse dele, mas, como sabe que de si nada partiu, atribui toda a glória ao Senhor! E se sente grato por Deus lhe ter atribuído essa tarefa.

E agora, algo muito peculiar nisso tudo: Paulo sabe que pode sofrer punição se não o fizer! Sim, e trato de esclarecer esse ponto da melhor forma que posso, a fim de deixar bem compreendido e não passível de má interpretação.

O parágrafo anterior se começa a entender quando olhamos com discernimento e sabedoria para esta declaração: Ai de mim se não pregar o evangelho!

“Ai de mim” pressupõe castigo, penalização, consequências... e é isso mesmo!

Mas, ao contrário do que possa parecer quando olhado de forma rápida e superficial, esta declaração não teme um castigo divino, mas, sim, uma consequência autoprovocada em caso de esta tarefa ser negligenciada. E aqui está o ponto alto desta compreensão: a de que o descumprimento de um mandamento sempre provoca ao descumpridor uma consequência autoimposta.

É como se o apóstolo compreendesse – acertadamente – que o principal prejudicado seria ele mesmo, uma vez que compreende que o primeiro beneficiado pelo anúncio do Evangelho é ele próprio.

Sim, por isso que anunciar o Evangelho é um privilégio! Quem o anuncia é o primeiro a comer do seu fruto!

Lá no início do texto eu disse que por muito tempo não eu compreendera esta declaração paulina. Agora, decorridos estes poucos parágrafos, creio que você compreenda por que passo a compreendê-la.

Por aproximadamente quinze anos eu exerci um cargo – voluntário e não remunerado – em uma denominação eclesiástica. Entre outras atribuições que tinha, a de pregar era uma. Depois do meu desligamento deste cargo pensei em largar de mão tudo isso. Deparei-me, no entanto, com esta declaração da Palavra: Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). E ainda: Faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério (2º Timóteo 4:5). Ora, tudo isso dizia respeito a mim, eu sabia! Mas claudiquei bastante até conscientizar-me disso plenamente.

Sim, cambaleei um bocado por aí, tateando na Verdade entre uma queda e outra, entre um levantar e outro... até que caiu a ficha, deu-se a conexão, e a revelação me pareceu clara!

Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis e a obra de um evangelista é atender a este chamado, saber que os dons são de Deus emprestados a mim e, assim, torna-se irrevogável também a mim a necessidade de pregar o Evangelho!

Pegando emprestado outro discernimento do apóstolo Paulo, não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê [...] porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé (Romanos 1:16-17), e sei que tudo isso diz respeito a mim e ao que eu faço – e não quero deixar de fazê-lo!

Sim, entendo perfeitamente o que diz o apóstolo Paulo quando diz o que diz...

Espero que você, que aqui me dá a honra de ler estas linhas, também entenda...

Quem sabe você não faz parte deste time também?

Seja como for, saiba que o Senhor tem algo único para você, para cada um de nós!

Os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações (Salmo 33:11).

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

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