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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Naum



Chave do livro: sentença contra Nínive.
Naum descreve o poderoso imperialismo de uma nação despótica e pagã, e declara o triunfo certo e final da justiça e soberania de Deus.
A causa imediata da profecia foi a premente questão da justiça de Deus e Sua fidelidade às promessas. A Assíria, grande potência militar e econômica, havia dominado os destinos das nações limítrofes, inclusive Judá. Ao impor pesados tributos e exigir onerosa escravidão, aquela potência havia transformado Judá em um estado quase vassalo. A fim de proteger-se, Judá estabelecera alianças com outras nações, esquecendo-se da promessa de Deus de que Ele protegeria a nação, bem como Seu povo. Portanto, era fraca a vida nacional de Judá. Sua vida espiritual enfraquecia-se cada vez mais e sua segurança territorial corria constante perigo por causa das incursões de hordas procedentes de Nínive. Surgiu, pois, a pergunta: “Esqueceu-se Deus de Judá? Por que prospera esta nação perversa da Assíria enquanto nós sofremos? São vazias as promessas de Deus?” E enquanto Judá não recebia resposta a tais perguntas, a desesperação se apoderava do povo.
De repente, ouviu-se a voz retumbante de Naum, que dizia: “Nínive cairá. Deus preservará Seu povo.” Esta profecia parecia inacreditável para os de limitada compreensão espiritual. O propósito da profecia era duplo: predizer a destruição de Nínive por causa de seu pecado e aliviar a aflição e desesperança de Judá, assegurando-lhe que a promessa de Deus é fiel. A profecia tem um único assunto: Nínive cairá, Judá será vindicada. Em seu estilo literário, o livro é, ao mesmo tempo, poético e profético, harmonizando a vívida linguagem metafórica com o estilo rude e direto da declaração profética. O primeiro capítulo é, antes de tudo, um salmo, ao passo que os capítulos 2 e 3 são proféticos.
Naum começa sua mensagem mediante uma declaração intrépida relativa à natureza que toma vingança. O Senhor toma vingança e é cheio de furor. O Senhor toma vingança contra os Seus adversários e guarda a ira contra os Seus inimigos (1:2). Este tema satura o livro. Considerando que a Assíria pecou ao desprezar a Deus, será totalmente destruída. Judá foi desleal por não confiar implicitamente em Deus, estabelecendo aliança com outras nações. A queda e destruição de Nínive deve ser uma advertência para ela. A mensagem de Naum é aplicável a todas as eras. Os que, com arrogância, resistem a Deus e não confiam na Sua provisão e cuidado, sentirão inevitavelmente Sua ira; os que n’Ele depositam sua fé, esses serão preservados em virtude do amor divino.
Pouco sabemos de Naum, excetuando-se o que se nos diz neste breve livro. Seu nome não é mencionado em nenhuma outra parte das Escrituras Sagradas, com a possível exceção da linha genealógica citada em Lucas. Tudo o que dele sabemos é que viveu em Judá, provavelmente em Elcos, localidade que não se pode indicar com certeza, e que foi contemporâneo de Jeremias. A palavra Naum significa consolo. De acordo com os melhores cálculos, o livro foi escrito por volta do ano de 620 a.C.

Clarence B. Bass

domingo, 16 de junho de 2019

Simplesmente Se Entregando Para Ser Aceito de Novo



          Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.
          Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria.
          Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria, e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.
          Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer. Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti.
          Livra-me da culpa dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação! E a minha língua aclamará a tua justiça. Ó Senhor, dá palavras aos meus lábios, e a minha boca anunciará o teu louvor. Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, se não eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.
          Por tua boa vontade faze Sião prosperar; ergue os muros de Jerusalém. Então te agradarás dos sacrifícios sinceros, das ofertas queimadas e dos holocaustos; e novilhos serão oferecidos sobre o teu altar.
      
          (Texto do Salmo 51)

          Este Salmo Davi escreveu quando o profeta Natã veio falar com ele, repreendendo-o por este ter cometido adultério com Bate-Seba.
          Davi ficou profundamente compungido, dando-se conta do tamanho do erro que havia cometido. Houve consequências práticas, como ocorre em tudo na vida, pela lei da semeadura e colheita, da ação e reação, da causa e consequência. Porém, Davi se arrependeu, reconheceu seu erro, e o confessou perante o Senhor. E não somente isso; escrevendo esse Salmo, o tornou conhecido – seu erro – de todos, agora sem medos e sem reservas. Sem dúvida, um gesto de grandeza de espírito, ainda que o seu espírito estivesse quebrantado e contrito, como assim estava seu coração, sua alma, enfim, todo o seu ser.
          Davi ensina, assim, que para voltar a ser grande, diante do erro, é preciso tornar-se pequeno e humilde.
          Davi ensina que é preciso simplesmente se entregar, para ser aceito de novo.

          Por hora é isso, pessoal. Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem.
          Saudações,

          Kurt Hilbert

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Miqueias



Os três primeiros capítulos da profecia de Miqueias declaram os juízos de Deus contra Israel e Judá, e o desastre iminente que está à espera dessas nações.
Os capítulos 4 e 5 oferecem consolo e esperança em face do que acontecerá no futuro, quando a casa do Senhor for estabelecida sobre os fundamentos de uma paz duradoura; um remanescente voltará para Sião, resgatado do cativeiro na Babilônia; um Libertador procedente de Belém fará que Seu remanescente justo se constitua em bênção para a terra; e a terra será purificada da idolatria e da opressão.
Os capítulos 6 e 7 declaram o caminho da salvação mediante uma analogia de um pleito ou contenda judicial; o Senhor é o reclamante, Israel o reclamado. Lembrando a Seu povo o livramento do Egito, e falando-lhe da natureza da verdadeira adoração, Deus deplora Seus tesouros de impiedade e de opressão. Esta declaração se faz seguir pela confissão de culpa da parte de Israel e pela oração, pedindo ao Senhor que volte e pastoreie Seu rebanho como o fez no passado. Miqueias termina com uma pergunta: “Quem, ó Deus, é semelhante a ti?” Somente Ele pode perdoar e demonstrar compaixão ao povo de Sua aliança.
Miqueias era natural de Moresete, aldeia localizada perto de Gate, na região setentrional da Filístia, a trinta e cinco quilômetros ao sudoeste de Jerusalém. Provavelmente era agricultor. Seu ministério de profeta abrange o reinado de três reis, desde o ano de 738 até 698 a.C., aproximadamente. Não se menciona o nome de seu pai, razão por que os estudiosos concluem que sua família era de condição humilde. Miqueias é mestre consumado no emprego da poesia clássica hebraica. Defende a causa dos camponeses oprimidos e se põe contra os ricos arrogantes. Seus apelos em favor da verdadeira religião são igualados somente por Tiago (compare 6:6-8 com Tiago 1:27).

Ross E. Price

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Andar Com Fé Eu Vou



Hebreus 11:8
Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo.

Andar pela fé significa darmos o passo seguinte em nossa vida confiando naquilo que o Senhor, por Sua Palavra, nos tiver revelado. Depois de revelada a vontade d’Ele para conosco, nos cabe obedecê-Lo e seguir.
Uma bela definição de fé é esta: Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos (Hebreus 11:1).
 A Palavra de Deus, que comumente é também chamada de Bíblia no meio cristão, é muito mais que o livro chamado de Bíblia, de capa a capa. Aliás, como escrevia João no Evangelho que leva o seu nome, se tudo o que Cristo é, ensinou e fez, fosse escrito, não haveria biblioteca que chegasse. Jesus fez também muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem mesmo no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os livros que seriam escritos (João 21:25). Descontada a superlatividade da emoção de João ao escrever o que escreveu, é por aí mesmo, ele tem razão.
Assim, percebemos que a Palavra, muito além do que chamamos de Bíblia, a Palavra é Jesus e Jesus é a Palavra, como o mesmo João escreve no início do seu Evangelho. No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio (João 1:1-2). Assim, digo que a Bíblia deve ser lida a partir de Jesus, tendo n’Ele a chave interpretativa.
Dito isto, sigamos com a Palavra acima usada como mote para este texto. Esta Palavra diz que Abraão seguiu, pela fé, o chamado de sair de onde estava e dirigir-se a uma terra que nem sabia onde estava, mas confiava n’Aquele que lhe dissera para fazer o que iria fazer.
Abraão andou pela fé. Aliás, este é outro ensinamento que levamos: mesmo Abraão não tendo Google Earth naquele tempo – ou GPS ou Waze – e, naturalmente, não poder visualizar via satélite para onde estava sendo instruído a ir, ele foi. Ele foi! Não só foi segundo o que entendeu por fé, mas viveu segundo o que entendeu por fé – e obedecendo ao que entendera. Porque vivemos por fé, não pelo que vemos (II Coríntios 5:7).
Em nossos dias, também somos chamados a andar pela fé!
Gilberto Gil, numa de suas composições, escreveu e cantou que “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar...”. E a fé em Deus não falha mesmo, assim como Deus não falha!
Nós é que, vez ou outra, falhamos. Mas, quando falhamos e nos arrependemos, Deus nos perdoa e nos impulsiona a seguir pela mesma fé n’Ele!
E a nossa herança é a eternidade em comunhão com Ele, vivendo essa eternidade e essa herança desde já.
Houve tempo em que nós também éramos insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando uns aos outros. Mas quando, da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos tornemos seus herdeiros, tendo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que creem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos homens (Tito 3:3-8).

Por hora é isso, pessoal. Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem.
Saudações,
Kurt Hilbert

domingo, 2 de junho de 2019

Jonas




Por seu conteúdo e intenção, o livro de Jonas revela a universalidade e a compaixão da graça divina. Insinua-se este fato em 3:10, e em 4:11 se confirma de modo inequívoco.
O livro é de caráter biográfico. Começa e termina com o Senhor falando a Jonas. Em primeiro lugar, Jonas é comissionado para anunciar um juízo; finalmente, o Senhor faz ver Sua misericórdia e Sua compaixão. Entre estas duas representações do caráter de Deus encontramos a resposta de Jonas à justiça e à compaixão divinas. No princípio Jonas se nega a aceitar a ordem do Senhor, temendo que os pagãos se arrependam e Deus demonstre misericórdia. O coração magnânimo de Deus, que perdoa aos pagãos arrependidos, estabelece nítido contraste com o espírito estreito, intolerante, não perdoador de Jonas.
Uma vez que o livro não faz afirmação alguma sobre seu autor, é de supor-se justificadamente que o autor seja o próprio Jonas. Ele é filho de Amitai (1:1) e, sem dúvida, o mesmo filho de Amitai que profetizou durante o reinado de Jeroboão II (compare-se com II Reis 14:25).

Claude A. Ries

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A Controvérsia da Salvação Pelo Senhorio Versus Livre Graça


Por várias décadas uma batalha vem sendo travada no cristianismo entre aqueles que defendem aquilo que veio a ser conhecido como “salvação pelo senhorio” de um lado, e do outro aqueles que defendem a “livre graça” como o único terreno bíblico para se receber vida eterna e ter certeza de salvação.
A doutrina da necessidade de submeter-se ao senhorio de Cristo para obter a salvação final e a entrada no céu parece ter surgido da preocupação de muitos mestres e evangelistas cristãos nas décadas da metade do século 20, quando viram a tendência para a licenciosidade e indiferença entre os crentes que professavam a Cristo como Salvador. Billy Graham, A. W. Tozer e John MacArthur eram apenas alguns dos proponentes dessa abordagem do Evangelho de Deus como sendo uma salvação pelo senhorio.
Levantando-se contra o aparente legalismo desta ênfase na submissão ao senhorio de Cristo para a salvação estavam autores como Zane Hodges, que escreveu “Absolutamente Livre” em 1989 como uma resposta ao livro de MacArthur, “O Evangelho Segundo Jesus”, publicado um ano antes. Bob Wilkin, fundador da Sociedade Evangélica da Graça, tem muitas vezes escrito e ensinado contra a salvação pelo senhorio e em defesa da “Teologia da Livre Graça”.
Embora ambos os lados ensinem uma medida de verdade, é lamentável que tenham, pelos seus contínuos embates retóricos, tornado implícito que suas respectivas visões são as únicas posições doutrinárias a serem mantidas de forma inteligente e consistente; que ou você está no campo da salvação pelo senhorio ou então abraça a versão da oposição do ensino da livre graça.
Considerando a enormidade do assunto, espero apresentar da forma mais concisa possível algumas passagens para o que acredito ter se transformado numa falsa dicotomia entre as duas ideias, cada uma aparentemente sustentada por uma reação ao outro lado, por mais bem intencionados e piedosos que possam ser seus respectivos protagonistas.
De um modo geral a doutrina conhecida como “salvação pelo senhorio” promove um compromisso com Cristo, obediência a Ele e a necessidade de perseverança em seguir a Cristo até o fim da vida, para que uma alma seja finalmente salva. Lamentavelmente este ensinamento obscurece a distinção entre a salvação somente pela graça e o chamado ao discipulado, que são tão distintos um do outro quanto as parábolas que encontramos em Lucas 14. Nos versículos 15 ao 24 Jesus ensina a abençoada verdade do papel que tem a eleição e irresistível graça de Deus na salvação das almas, mas nos versículos 25 ao 35 não poderia estar mais claro que o assunto ali é o discipulado. Ignorar a óbvia mudança de assunto entre os versículos 24 e 25 seria violentar os conceitos da graça de Deus e de nosso discipulado.
Portanto, além do fato de muitos que defendem a salvação pelo senhorio também incidentalmente ensinarem a verdade da eleição incondicional e da segurança, e de estarem, com razão, angustiados com a falta de um fervoroso discipulado entre os cristãos, sua visão de salvação pelo senhorio demonstra ter pouco fundamento à luz da Palavra de Deus.
Por outro lado, a “teologia da livre graça” adverte corretamente contra a falta de integridade doutrinária da visão da salvação pelo senhorio, mas tem seus próprios excessos e pontos cegos. O mais evidente desses pontos cegos é a alegação de um de seus principais proponentes, de que “a fé em Cristo é uma assertiva intelectual”. Esse autor, Bob Wilkin, prossegue na defesa de sua proposição desta maneira: “Despido de sua conotação pejorativa, a assertiva intelectual é uma boa definição do que é a fé. Por exemplo, você acredita que George Washington foi o primeiro presidente dos Estados Unidos? Se acredita, então você sabe o que é a fé de uma perspectiva bíblica”.
O problema é que tanto a premissa quanto o argumento que a sustenta dificilmente poderiam estar mais longe da verdade daquilo que a fé realmente representa. Para os seus simpatizantes, no Novo Testamento não existiriam exemplos de fé falsa ou espúria, e toda ocorrência da palavra “crer” seria necessariamente um caso de uma ou mais pessoas recebendo a vida eterna, não importando o contexto ou comentário em torno da fé que estivesse contido no texto. Então, para esses, Simão, o feiticeiro em Atos 8, seria um cristão genuíno desde o dia em que ouviu o Evangelho, viu os milagres e foi batizado, apesar do julgamento subsequente feito por Pedro de que era um que permanecia “em fel da amargura, e em laço de iniquidade”, que não possuía “nem parte nem sorte neste ministério” da recepção e habitação do Espírito Santo.
Além disso, esses estariam afirmando que os muitos que acreditaram quando viram os milagres de Jesus na festa em João 2:23-25 teriam sido necessariamente salvos eternamente, embora o comentário divino seja de que Jesus não confiava neles. Por que não? Porque eles não possuíam o novo nascimento e uma nova natureza, e “Ele sabia o que havia no homem”, na carne “nascida da carne”, como explicou a Nicodemos imediatamente após a quebra de capítulo, que é equivocadamente colocada em João 3:1-12. Não é sem razão que esta versão da livre graça é muitas vezes chamada de “crença fácil”, pois seu ensino sobre a natureza da fé é falso e, em alguns aspectos, humanista.
Para que a fé salve alguém e se conserve pelo poder de Deus até o fim, essa fé deve ser sobrenatural em sua origem, pois a crença do homem natural no incontestável fato da morte e ressurreição de Cristo nunca produzirá vida de nova criação, arrependimento ou salvação do pecado. É por uma boa razão que as escrituras falam de “fé não fingida”, bem como de “amor não fingido” (I Timóteo 1:5; II Timóteo 1:5; Romanos 12:9; I Pedro 1:22), pois não é apenas possível, mas infelizmente muitas vezes o caso, de que o mero acreditar seja fruto de hipocrisia ou fingimento. Um simples estudo das palavras originais confirmaria a realidade da diferença marcante entre uma fé genuína e aquela que é fingida.
É somente por alguém nascer de novo, pela pessoa ser vivificada (alguns chamaram de “regeneração”), que a fé genuína é possível. Jesus se referiu a essa verdade quando disse a Nicodemos: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). “Ver” aqui indica visão espiritual, ou fé, e deve ser distinguido da afirmação paralela do Senhor alguns versos depois, a de que alguém que não nasceu de novo não pode “entrar” no reino de Deus. As Escrituras nos ensinam que o novo nascimento é a causa da vida, e seu efeito é a fé no testemunho de Deus quanto ao Seu Filho (João 1:12-13; I João 5:1; Tiago 1:18).
O novo nascimento é iniciado e efetuado por Deus, e o homem não é convidado a fazer isso e nem é esperado dele que o faça. É algo parecido com o que aconteceu com o despertar de Lázaro de entre os mortos, que foi pelo chamado soberano do Senhor Jesus de fora do seu túmulo. A ressurreição de Lázaro foi um belo quadro da verdade espiritual que o Senhor deu em João 5:21: “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”.
Esta nova natureza adquirida através de novo nascimento logo faz com que a alma vivificada sinta o peso do pecado do “velho homem”, e aí o crente se arrepende, justificando a Deus e aceitando Seu conselho contra si mesmo como sendo pecador (Lucas 7:29-30). O “novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:20-24) é o que agora caracteriza a vida cristã. A obediência divina, a perseverança nas boas obras e a conformidade com o Filho são o que Deus, por Seu Espírito, opera em nós e espera de nós (II Coríntios 5:17; Efésios 2:10; Romanos 8:28-30; João 15:1-8).
Isso é bem diferente da ideia de uma “salvação pelo senhorio”. Essa verdade do novo nascimento e da nova criação também é distinta do ensinamento errado dos promotores da “livre graça”, que diz que a fé não é mais do que o assentimento intelectual dos fatos. Pois embora o verdadeiro crente possa lutar, fracassar e pecar com frequência, e até definhar para uma condição de desviado, ainda assim, graças a uma vivificação ocorrida de modo soberano, e também graças ao subsequente selo do Espírito, ele possui o desejo e a capacidade inatos, tanto de uma “fé não fingida” para vencer o mundo, como do “amor não fingido” por Cristo e pelos irmãos. (I Pedro 1:22-23; I João 3:23).


Um texto de John Kulp

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Obadias



Chave deste livro: Edom.
Este pequeno livro resume o significado da relação de Edom e Israel (Esaú e Jacó) na história da salvação e, ao fazê-lo, revela um aspecto do dia do Senhor e do reino de Deus. Edom, a nação oriunda de Esaú, sempre se revelou hostil a Israel, a despeito dos laços fraternais existentes, visto que eram filhos de Isaque. Deus confiou a muitos profetas a mensagem de condenação dirigida contra Edom (Amós, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Malaquias), os quais, frequentemente, chamaram a atenção para o orgulho e para a auto-suficiência de Edom como as raízes de seu pecado.
Em Obadias, o profeta parece tomar uma profecia de juízo existente contra Edom (v. 1-4 e frases incluídas nos v. 5-9) – talvez o mesmo oráculo que aparece em Jeremias 49:7-22 – e observe-se quão terrivelmente se cumpria e com que justa retribuição. Obadias relaciona, portanto, este castigo particular com o juízo de todas as nações no dia iminente do Senhor, quando o remanescente de Israel que escapou será como esfera de salvação e instrumento do governo de Deus sobre todas as nações.
Embora muitíssimo curta, esta profecia ressalta e exemplifica as verdades fundamentais da revelação bíblica: o governo soberano de Deus que será universalmente reconhecido (v. 21); a eleição de Israel, o povo de Deus, para ser abençoado (v. 17b); sua eleição cumprida mediante um remanescente (v. 17a) que será a fortaleza do braço de Deus procedente do monte Sião; a culminância dos propósitos de Deus no dia do Senhor que, enquanto vindica a seu povo e lhe proporciona o júbilo da terra prometida de descanso, condenará os inimigos e opressores, dos quais Edom é aqui um modelo (v. 15).
Embora o livro de Obadias seja somente um dentre os muitos pronunciamentos proféticos relativos a Edom, é conveniente considerá-lo como o ponto de concentração de todas as referências que no Antigo Testamento se fazem concernentes a Edom, visto como não é possível, num comentário desta natureza, tratar de outras passagens pormenorizadamente.
Portanto, apresentamos aqui uma lista das principais referências a Edom: Históricas: Gênesis 25-36 (Jacó e Esaú); Números 20:14-21, Deuteronômio 2:1-8 (o período do Êxodo); I Samuel 14:47 (sob Saul); II Samuel 8:14 (sob Davi); II Reis 8:20-22 (sob Jeroão); II Crônicas 20:10-23 (sob Josafá); II Reis 14:7, II Crônicas 25:11-13 (sob Amazias); II Crônicas 28:17 (sob Acaz); Salmos 137:7, Lamentações de Jeremias 4:22 (queda de Jerusalém); Salmos 83:1-6 (geral). Profecias: Isaías 11:14; 34; 63:1-6; Jeremias 49:7-22, Ezequiel 25:12-14; 35; Joel 3:19; Amós 1:11-12; Malaquias 1:2-5.
Com exceção de seu nome (que é comum no Antigo Testamento), nada se sabe do autor deste livro, o mais curto do Antigo Testamento. Nem se sabe com certeza a época em que foi escrito. Obadias parece descrever um desastre que sobreveio a Edom depois da queda de Jerusalém (v. 5-7). Talvez seja este o primeiro ataque dos nabateus contra o monte Seir, os quais derrotaram os edomitas em determinada época compreendida entre os séculos VI e IV a.C. (compare Malaquias 1:3-4). Esta profecia pertenceria, portanto, à época do exílio ou logo após o regresso.

D. W. B. Robinson

domingo, 19 de maio de 2019

Um Falar Agradável



Um falar agradável é aquele que tem tom de acolhimento, respeito às diferenças e tranquilidade nas respostas.
 É aquele que não se perturba diante das contrariedades, que argumenta com a alma pacificada, nunca aguerrida pela tentativa de convencimento. Até porque não convencemos a ninguém; é a pessoa que convence a si mesma. E, para sermos justos e meritórios com a Palavra do Senhor, é Jesus, pelo Espírito Santo, Quem convence.
Volta e meia ouço cristãos debatendo pontos bíblicos, supostas incongruências e contrariedades nas Escrituras, pontos conflitantes, páginas difíceis, e por aí vai. Tentam empurrar, a qualquer custo, suas posições e – muitas vezes – opiniões pessoais sobre determinado ponto. Cria-se uma atmosfera conflitante, pesada, de alma tensa e espírito aguerrido. A paz na alma é despida em favor da tensão da razão. Isso é vaidade, como dizia o escritor de Eclesiastes, além de ser perda de tempo e afugentamento das almas, que se distanciam pelo conflito da discussão. Nada disso aproveita! Coloquemos o nosso modo de pensar, sim, não fujamos da argumentação, mas que seja só argumentação. Se o contraste perdurar, deixe-se o de lado a pacifique-se a alma. Também em questões de espiritualidade e fé, é preferível ter paz a ter razão.
Sejamos, pois, agradáveis (mas não bajuladores) no nosso modo de falar.
Mais do que “politicamente corretos”, sejamos respeitosamente verdadeiros. Só assim conquistamos o respeito do outro.
Que o nosso falar seja temperado com sal, isto é, que nossas palavras e nosso tom de voz possam temperar e realçar o sabor daquilo que dizemos. E, assim como o sal, além de realçar o sabor, tinha e tem o atributo de conservar os alimentos, que o nosso falar também tenha o atributo de conservar a fé já implantada no nosso interlocutor, além de conservar a pureza e as características verdadeiras da Palavra que partilhamos.
Que possamos ser sal na terra, como Jesus ensinou, espalhados no chão da vida e da humanidade, e do andar ao lado do próximo.
Que não sejamos sal no saleiro, aquele tipo que se fecha em si mesmo e não se doa nem se compartilha. O sal no saleiro permanece inerte – e insípido – e, mesmo sendo não-perecível, torna-se estragado pelo não-uso.  Quanto mais usados formos em questões de fé, mais viva em si mesma será a nossa própria fé. Em questões de Deus, devemos ser “agitados antes de usar”, ou seja, temos que ter uma vida de fé “em movimento”, num andante andar lado a lado.
Em assim sendo, saberemos sempre responder a cada um segundo a sua demanda. Como escreve o apóstolo Pedro numa de suas cartas no Novo Testamento, que estejamos sempre prontos a responder sobre a nossa fé.
Que em todos os momentos, nossas respostas sejam tranquilas e temperadas com o sal do amor do Senhor, que salga e realça as coisas boas em nossas almas.
Que o nosso falar seja sempre remédio para quem precisa, alegria para quem dela necessita, paz no ambiente em que estivermos, força a erguer quem estiver caído, suporte para quem estiver cambaleante.
Que o nosso falar seja vida!

Por hora é isso, pessoal. Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem.
Saudações,

Kurt Hilbert

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Amós



A grande proclamação feita no início de sua profecia (1:2) fixa o tom da mensagem de Amós. A voz de Deus, como a de um leão que ruge, será ouvida desde Sião no dia do juízo. Sob o respeitável manto da prosperidade material, Amós põe a descoberto a massa putrefata do formalismo religioso e a corrupção espiritual (5:12-21). Aponta a total indiferença para com os direitos humanos e para com a pessoa humana (2:6), e assinala a deterioração da moral e da justiça social (2:7-8).
O profeta tinha um remédio para o mal que ameaçava a vida da nação. O homem devia buscar a Deus, devia arrepender-se e estabelecer a justiça a fim de poder viver (5:14-15). Todavia, para ressaltar o aspecto irremediável da situação, o profeta Amós adverte que os responsáveis pelo mal que açoitava a terra não se “afligiam” pelo desastre que se avizinhava (6:6). Em consequência, outra coisa não esperava a Israel senão a destruição (9:1-8). O dia do Senhor não será uma vindicação de Israel, segundo acreditavam algumas pessoas daquele tempo, mas uma confirmação das exigências do caráter moral de Deus contra os que o haviam rejeitado. Somente quando esta verdade fosse reconhecida é que se estabeleceria o esplendor do reino davídico. Porém esse dia era inevitável (9:11-15). A mensagem de Amós é, em grande parte, um “clamor de justiça”.
Natural de Tecoa, local situado a vinte quilômetros ao sul de Jerusalém, Amós era pastor e também cultivava figos silvestres (1:1; 7:14-15). Enquanto cuidava do rebanho, recebeu o chamado de Deus para exercer o ministério profético. Profetizou no reino do norte durante breve período na segunda metade do reinado de Jeroboão II (785-744 a.C.), rei de Israel, e durante o reinado de Uzias (780-740 a.C.), rei de Judá (1:1).

Arnold C. Schultz

domingo, 12 de maio de 2019

Proteção



          Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra.
          Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta, sim, o protetor de Israel não dormirá; ele está sempre alerta!
          O SENHOR é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita. De dia o sol não o ferirá, nem a luz, de noite.
          O SENHOR o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida.
          O SENHOR protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre.   
   
          (Texto do Salmo 121)

          Por hora é isso, pessoal. Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem.
          Saudações,

          Kurt Hilbert