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domingo, 11 de janeiro de 2026

Conhecimento e Percepção


 

Filipenses 1:9-11

Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção.

 

Sabemos que a Palavra de Deus é essencialmente uma Pessoa: Jesus Cristo. Este ensinamento nos vem de forma clara e inequívoca pelo Evangelho escrito pelo apóstolo João: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram (João 1:1-5). E ele acrescenta: Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus (João 1:10-13).  E conclui: Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14).

O que está dito no parágrafo acima, portanto, nos traz o conceito exato da Palavra e, assim, o fato de tudo na Bíblia ter que estar alinhado com Jesus para ser efetivamente Palavra de Deus, isto é, o que se coaduna com Jesus é Palavra eterna, e o que difere de Jesus – de Seus exemplos e ensinamentos – é tão-somente informação de contexto.

Dito isto, também sabemos que os fundamentos da Palavra de Deus são encontrados na Bíblia – o próprio Jesus e Sua doutrina/vida conhecemos através da Bíblia. Portanto, quando dizemos que a Palavra de Deus é encontrada na Bíblia, estamos falando o que é certo e coerente.

Seguindo este princípio, voltemos ao que diz o apóstolo Paulo à igreja em Filipos: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção. O apóstolo também orava para que isso sucedesse, demonstrando que o querer humano em aumentar o amor em conhecimento e percepção só teria êxito se houvesse a efetiva colaboração divina nesta empreitada.

Em sendo a Bíblia o nascedouro palpável da Palavra – digo “palpável”, pois o nascedouro essencial é o Espírito, mas Este não é palpável, ainda que seja “perceptível” –, toda a pregação deve se dar com base bíblica.

Sabemos, pela Bíblia, que a fé vem pela pregação: Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo (Romanos 10:17). E, ainda, sabemos pela mesma fonte que “checar a fonte” deve ser um ato contínuo de todo aquele que ouve a pregação: Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (Atos 17:11). E não é apenas uma questão de checar se uma determinada citação se encontra na Bíblia, mas buscar verificar se está dentro do contexto, pois citações isoladas e retiradas do contexto são manipuláveis e podem ser nocivamente adaptadas para “dizerem” o que não dizem.

Assim, nos é confirmado pelas próprias Escrituras que não pode nem deve haver pregação contrária às Escrituras!

O apóstolo Paulo fala que a sua oração é que haja cada vez mais conhecimento. Este conhecimento vem por se buscar a Palavra nas Escrituras, por se dedicar algum tempo a ela; melhor ainda é se este tempo puder ser diário! O apóstolo segue dizendo que isso aumenta o conhecimento cada vez mais, pois, quanto mais nos aprofundamos  nas Escrituras, tanto mais conhecemos!

Jesus mesmo nos alerta sobre o conhecer as Escrituras, e como isso nos previne de sermos enganados: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Mateus 22:29). Sim, conhecer evita o engano e o erro! O profeta Oséias já advertia e esse respeito: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento (Oséias 4:6).

 Voltando ao raciocínio: Quanto mais lemos a Bíblia, mais conhecemos, e quanto mais conhecemos, maior será a nossa percepção!

E como se dá isso?

Primeiro, antes de ler, é importante que oremos para que o Senhor nos “fale” por Sua Palavra e, justamente, nos faça “percebermos” o que Ele nos quer dizer. Costumo orar mais ou menos nestas palavras e neste sentido: “Senhor, escreva a Tua Palavra em meu coração, em minha mente, em minha alma, em meu ser; fala-me outra vez pela leitura da Bíblia”.

Lembro que Jesus fez com que Seus discípulos discernissem o que havia a respeito d’Ele nas Escrituras: E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras (Lucas 24:27).

A Palavra é dinâmica e serve para o nosso dia a dia: Pois a palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12).

Quando lemos com atenção, oração e comunhão, percebemos a “mensagem” para nós, útil e aplicável. Ela nos serve para aquele momento. Ainda, nos serve para compreendermos momentos passados, e nos prepara para momentos futuros.

A Palavra nos alimenta espiritualmente, e deste alimento decorre o que o apóstolo Paulo descreve: o nosso amor aumenta!

Por um lado, aumenta o nosso amor pela própria Palavra em si: A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho (Salmo 119:105).

Por outro, com base no que discernimos pela Palavra, aumenta nosso amor a Deus, nosso amor próprio e nosso amor ao próximo, pois desse amor a própria Palavra também depende, como Jesus ensina: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas (Mateus 22:37-40).

Isso responde a uma pergunta que podemos eventualmente fazer: Como aumentará o nosso amor? E a resposta é: Pelo aprofundamento na Palavra de Deus!

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 4 de janeiro de 2026

Você Já Perdoou o Mundo?


 

Deus perdoou o mundo, pois, em Cristo, o reconciliou consigo mesmo.

A questão é: você também já perdoou o mundo?

A gente fica sempre falando em perdoar o irmão. Mas, para perdoar o irmão, eu tenho que antes perdoar o mundo.

Boa parte de nossas raivas e ressentimentos vêm daquilo que a gente chama de “perversidades da vida”, ou também de “injustiças do mundo”, ou ainda de “catástrofes malignas”.

O fato é que nossos ressentimentos são mais profundos do que sabemos. As pessoas têm raiva de onde nasceram, da família que tiveram, da condição econômica na qual viveram, das lutas e durezas da sobrevivência, de defeitos físicos ou de malignidades que caem na forma de tragédias...

Há também aqueles que, apesar de ricos, preferissem ter nascido pobres se, na troca, viessem pais amorosos, e não os distantes e indiferentes que possuem.

Então, alguns culpam o Estado, outros a História, outros a Religião, outros o país, a raça, o continente, a nação, o povo, os pais, os irmãos, os vizinhos e quem passar por perto.

Mas essa raiva é raiva do mundo e das injustiças que nele nos acontecem.

O mundo que eu tenho que amar é a criação. O mundo que eu tenho que não-amar é o sistema de injustiças e iniquidades. E o mundo que eu tenho que perdoar é o meu mundo, feito de humanos como eu, e que deliberada ou inconscientemente pratica o que eu pratico.

Eu tenho que perdoar a humanidade a fim de poder me perdoar e entender o meu irmão.

Quando todo o ressentimento do mundo é tirado de nós, o coração começa a não ter mais reclamações a fazer.

Aqui acaba a raiz de toda autopiedade, que é também o fundamento de todo ressentimento e o gerador de todas as invejas.

Todo invejoso é um ser ressentido com o mundo, com as oportunidades que acha que não teve, enquanto outros tiveram; com os dons e talentos que outros possuem, enquanto a mesma coisa não lhe acontece nem com muito esforço; com qualquer coisa que aconteça ao outro e a pessoa julgue que não era para o outro... Ou por você se achar melhor que o outro ou por se julgar bom demais e, ainda assim, não ter o que deseja, de tal modo que quem quer que tenha o objeto do desejo de tal pessoa passará a ser objeto de inveja, que é, de fato, ressentimento com o mundo e, no fim da linha, raiva de Deus.

Deus não me deve nada. Ele me deu a vida; o que mais desejo? Ele me redimiu antes de me criar; o que mais desejo? Ele me dá fé quando não há razão nenhuma para confiar; o que mais desejo?

Eu sou uma orgia de graça divina; sou a migalha do eterno banquete; sou... nada e, ao mesmo tempo, sou parte do significado de tudo o que existe.

Meu Deus! Que posso eu mais querer? O Senhor é a minha porção e o meu cálice.

O Senhor é o meu Pastor e de nada me ressentirei, e de ninguém terei inveja.

Deus se reconciliou com o mundo em Cristo?

Se assim é, a fim de que eu possa ser Seu embaixador, preciso também ter perdoado o mundo todo. Só assim chego reconciliado a fim de anunciar a reconciliação.

Somente gente reconciliada com Deus e com a humanidade pode levar Boa Nova na vida e na boca. Do contrário, até a fala sobre amor tem cheiro de ódio disfarçado de bondade.

Quem lê entenda!

 

(um texto de Caio Fábio D’Araújo Filho)

domingo, 28 de dezembro de 2025

Suas Resoluções Para 2026 Têm Propósito?


 

Estima-se que a prática de se fazer resoluções de Ano Novo vem dos antigos babilônios, desde há aproximadamente 3.000 anos.

Há um efeito psicológico que nos dá a ilusão/impressão de que algo absolutamente novo ocorre a cada início de ano. Na verdade, como seres cíclicos que somos, nos habituamos, desde que nos organizamos minimamente como sociedade humana, a praticar ritos de passagem. Mas fato é que não há diferença entre 31 de dezembro e de janeiro. Nada mágico ocorre à meia-noite do dia 31.

Mas, sabendo-se disso ou não, as resoluções persistem, e tornam-se comuns mesmo entre cristãos. A priori, nada de errado nisso. A Bíblia não fala nem a favor nem contra essa prática.

As resoluções mais comuns, segundo pesquisas – não sei se foram os ingleses que pesquisaram isso, pois eles adoram uma pesquisa! –, são de ordem prática: parar de fumar, parar de beber, iniciar uma dieta, iniciar atividades físicas, e por aí vai. Legal, são bons objetivos!

Entre os que professam e praticam a fé em Cristo, há resoluções como: orar mais, ler a Bíblia diariamente, frequentar mais a sua igreja. Bons objetivos também!

Podemos acrescentar outros que têm especial relevância: conviver mais com a família, arranjar tempo para os entes queridos, ser mais gentil e inclusivo...

E eu ainda acrescentaria: julgar menos e demonstrar mais os frutos do Espírito. Lembra quais são? Na verdade, a Bíblia chama de “fruto”, no singular, e eu tomei a liberalidade de chamar a cada uma das suas características de “gomos” deste fruto. Está assim escrito: O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5:22-23). E ainda se acrescenta: Contra essas coisas não há lei. Sim, demonstrar isso no convívio com as pessoas é muito legal, é uma baita resolução!

No entanto, creio que para que haja bom êxito nisso tudo, deve haver propósito, pois, caso não haja, tudo se desvanece em uma semana ou duas – ou num dia ou dois, pois, sem propósito, há pouca persistência!

E qual o propósito que deveria haver? Lá vão algumas ideias...

Se o seu objetivo no ano que começa é orar mais, qual o principal tema da oração? Seria pedir materialidades e benesses físicas ou crescimento espiritual e benesses para a alma? Você oraria muito por si e pouco por outros? Pediria muito e agradeceria pouco? Ainda que pedindo, deixaria consciente e voluntariamente tudo fluir segundo a vontade de Deus, ou faria questão da sua vontade? Agradeceria e louvaria em oração? Pense nisso, pense de que modo oraria, com que propósito oraria.

Se você deseja ler mais a Bíblia, para que o faria? Seria como um ritual meio místico, achando que Deus lhe recompensaria/protegeria com isso, ou lhe daria alguma benesse material como recompensa por esse ato devocional? Seria para ter simplesmente mais conhecimento técnico? Seria para atender a sua superstição evangélica, achando que seria uma boa barganha com Deus? Ou seria para, em lendo em oração e comunhão, perceber e discernir o que Deus lhe revela/inspira pelo ativar do Espírito através da leitura? É para alimentar sua mente ou sua alma? É bom avaliar a motivação e o propósito.

Se a sua resolução for frequentar mais a sua igreja, qual a real motivação? No que prestaria mais atenção nesses encontros ecumênicos? Lhe faria bem o encontro com os irmãos? Faria a sua parte para tornar esse ambiente acolhedor e inclusivo? Qual o propósito de estar lá?

São só algumas coisas a se pensar sobre resoluções de Ano Novo...

Sim, 2026 vem chegando...

Para além das resoluções, procure ter propósito em tudo. Tudo o que é feito com propósito tem vida mais longa, tem essência, tem motivo de ser...

Algumas Palavras especiais sobre propósito:

O SENHOR faz tudo com um propósito (Provérbios 16:4).

Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do SENHOR (Provérbios 19:21).

 Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu (Eclesiastes 3:1).

Tu, SENHOR, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia (Isaías 26:3).

Que este texto de final de ano e início de um novo que aqui compartilho faça sentido para você, faça diferença, toque seus pensamentos, suas emoções e suas resoluções, pois o que compartilho é a Palavra do Senhor!

Assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei(Isaías 55:11).

Oro para que, para mim e para você, 2026 seja um ano cheio de bons propósitos!

Aí, sim, feliz Ano Novo!

 

Kurt Hilbert

domingo, 21 de dezembro de 2025

Jesus Nasceu em 25 de Dezembro?


 

O que provavelmente é a primeira menção do nascimento de Jesus em 25 de dezembro remonta ao século III, quando Hipólito de Roma escreveu: “O primeiro advento de nosso Senhor na carne, quando nasceu em Belém, foi em 25 de dezembro, quarta-feira” (Comentário Sobre Daniel, tr. de Schmidt, T. C., 2010, Livro 4, 23.3 em inglês). A primeira menção a qualquer tipo de comemoração nessa data se encontra no Calendário Filocaliano, que representa a prática romana, a partir do ano 336.

Várias razões foram propostas para a escolha de 25 de dezembro para o nascimento de Jesus:

1) O dia 25 de dezembro é nove meses depois de 25 de março, a data que o historiador Sexto Júlio Africano e o pai da igreja primitiva Tertuliano calcularam como o dia de Páscoa em que Jesus foi concebido (veja Adversus Judaeos de Tertuliano, capítulo VIII). Este cálculo foi baseado na tradição de que Jesus foi concebido e morreu no mesmo dia do calendário.

2) Segundo outra tradição, 25 de março foi o aniversário da criação do mundo. A concepção de Jesus naquela data levaria ao Seu nascimento em 25 de dezembro.

3) O dia 25 de dezembro coincidia com um festival pagão que celebrava o solstício de inverno. Assim, a igreja oferecia ao povo uma alternativa cristã às festividades pagãs e, com o tempo, reinterpretava muitos de seus símbolos e ações de modo a torná-los aceitáveis à fé e à prática cristãs.

O dia 25 de dezembro tornou-se cada vez mais aceito como a data de nascimento de Jesus. No entanto, há quem defenda que o nascimento ocorreu em outra época, como no outono. Os seguidores dessa teoria afirmam que os invernos da Judéia eram muito frios para os pastores cuidarem de seus rebanhos à noite. No entanto, a História prova o contrário, e temos evidências históricas de que os cordeiros imaculados para o sacrifício do templo eram de fato mantidos nos campos perto de Belém durante os meses de inverno. Dito isto, é impossível provar se Jesus nasceu ou não em 25 de dezembro. De fato, essa data não é o mais importante.

A verdade é que simplesmente não sabemos a data exata do nascimento de nosso Salvador. Na verdade, nem sabemos ao certo o ano em que Ele nasceu. Os estudiosos acreditam que foi entre 6 a.C. e 4 a.C. Uma coisa é certa: se Deus julgasse importante sabermos a data exata do nascimento do Salvador, certamente nos teria informado em Sua Palavra. O Evangelho de Lucas dá detalhes muito específicos sobre o evento, até mesmo o que o bebê estava vestindo – “envolto em faixas” – e onde dormia – “numa manjedoura” (Lucas 2:12). Esses detalhes são importantes porque falam de Sua natureza e caráter, manso e humilde. Mas a data exata de Seu nascimento não tem importância, e talvez seja por isso que Deus escolheu não mencioná-la.

O fato é que Ele nasceu, veio ao mundo para expiar nossos pecados, ressuscitou para a vida eterna e está vivo hoje. É isso que devemos celebrar, como nos é dito no Antigo Testamento em passagens como Zacarias 2:10, onde se lê: “Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor”. Além disso, o anjo que anunciou o nascimento aos pastores trouxe “boa-nova de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10). Certamente há motivos para comemorar aqui todos os dias, não apenas uma vez por ano.

 

Fonte: www.GotQuestions.org/Portugues

domingo, 14 de dezembro de 2025

Inspiração e Iluminação: Ação do Espírito no Leitor


 

Se a inspiração explica como a Bíblia foi escrita, a iluminação explica como a Bíblia é compreendida. Ambas estão ligadas ao mesmo Espírito Santo: primeiro, Ele soprou a Palavra através dos autores; depois, continua agindo no coração dos leitores, para que a mensagem inspirada não permaneça como letra morta, mas se torne vida e transformação.

A iluminação é a ação pela qual o Espírito Santo abre a mente e o coração do ser humano para entender a Escritura em sua profundidade espiritual. Não se trata apenas de decifrar o sentido literal das palavras ou de compreender o contexto histórico — embora isso seja necessário —, mas de perceber a voz viva de Deus falando por meio delas. É o que Paulo descreve em 1 Coríntios 2:14, quando afirma que o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura; apenas o espiritual as discerne.

Essa distinção é crucial: muitos podem ler a Bíblia como literatura ou documento histórico, mas somente pela iluminação do Espírito ela se revela como Palavra de Deus. É o Espírito quem convence, confronta, consola e guia. É Ele quem faz com que um versículo escrito há milênios fale de maneira direta e atual às situações da vida contemporânea.

A iluminação também preserva a unidade entre inspiração e autoridade. Sem o Espírito, a Bíblia poderia ser manipulada de acordo com interesses humanos, perdendo seu caráter sagrado. Mas com a iluminação, o crente é conduzido a uma leitura obediente, que reconhece a voz divina acima de suas próprias opiniões. Por isso, a oração tem papel fundamental no estudo da Escritura: não é apenas um ato de devoção, mas uma abertura consciente ao Espírito, que transforma o estudo em experiência espiritual.

Além disso, a iluminação mostra que a revelação não é estática. Embora o conteúdo da Escritura seja imutável, sua aplicação é dinâmica. O mesmo texto pode ensinar, repreender ou consolar de modos diferentes em momentos distintos da vida do crente. Isso acontece porque o Espírito Santo adapta a mensagem eterna às circunstâncias do presente, sem distorcê-la, mas aplicando-a de forma pessoal e comunitária.

Podemos dizer, então, que a iluminação é a ponte entre o texto inspirado e a vida do leitor. Ela transforma informação em convicção, letra em espírito, leitura em encontro. Ao iluminar a mente e o coração, o Espírito Santo faz da Bíblia não apenas um livro a ser estudado, mas uma voz a ser ouvida, uma presença a ser experimentada, um guia para a caminhada da fé.

 

CSTF

 

Fonte: https://www.facebook.com/groups/752717255177909/?locale=pt_BR

domingo, 7 de dezembro de 2025

184 – Palavras de Profecia (Malaquias 1 – 4)


 

Uma1(versículo de Malaquias 1) advertência: a palavra do SENHOR contra Israel, por meio de Malaquias.

“Eu2 sempre os amei”, diz o SENHOR.

“Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste?’”

“Não era Esaú irmão de Jacó?”, declara o SENHOR. “Todavia eu amei Jacó, mas3 rejeitei Esaú I. Transformei suas montanhas em terra devastada e as terras de sua herança em morada de chacais do deserto”.

Embora4 Edom afirme: “Fomos esmagados, mas reconstruiremos as ruínas”, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Podem construir, mas eu demolirei”.

“O6 filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem?”, pergunta o SENHOR dos Exércitos a vocês, sacerdotes. “São vocês que desprezam o meu nome!”

“Na8 hora de trazerem animais cegos para sacrificar, vocês não veem mal algum. Na hora de trazerem animais aleijados e doentes como oferta, também não veem mal algum. Tentem oferecê-los de presente ao governador II! Será que ele se agradará de vocês? Será que os atenderá?”, pergunta o SENHOR dos Exércitos.

“Maldito14 seja o enganador que, tendo no rebanho um macho sem defeito, promete oferecê-lo e depois sacrifica um animal defeituoso”, diz o SENHOR dos Exércitos; “pois eu sou um grande rei, e o meu nome é temido entre as nações.”

Judá11(versículo de Malaquias 2) tem sido infiel. Uma coisa repugnante foi cometida em Israel e em Jerusalém; Judá desonrou o santuário que o SENHOR ama; homens casaram-se com mulheres que adoram deuses estrangeiros.

Vocês17 têm cansado o SENHOR com as suas palavras.

“Como o temos cansado?”, vocês ainda perguntam. Quando dizem: “Todos os que fazem o mal são bons aos olhos do SENHOR, e ele se agrada deles”, e também quando perguntam: “Onde está o Deus da justiça?”

“Vejam1(versículo de Malaquias 3), eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá III para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá”, diz o SENHOR dos Exércitos.

Mas2 quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro. Ele3 se sentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao SENHOR ofertas com justiça.

“De6 fato, eu, o SENHOR, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos. Desde7 o tempo dos seus antepassados vocês se desviaram dos meus decretos e não os obedeceram. Voltem para mim e eu voltarei para vocês”, diz o SENHOR dos Exércitos.

“Pois1(versículo de Malaquias 4) certamente vem o dia IV, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles”, diz o SENHOR dos Exércitos. “Nem raiz nem galho algum sobrará. Mas2 para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas”.

“Lembrem-se4 da Lei do meu servo Moisés, dos decretos e das ordenanças que lhe dei em Horebe para todo o povo de Israel”.

“Vejam5, eu enviarei a vocês o profeta Elias V antes do grande e terrível dia do SENHOR. Ele6 fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais”.

 

v     Para entender a história

Malaquias enfrenta uma comunidade judaica mergulhada na apatia. Suas palavras são pronunciadas para voltar a despertar a fé do povo em Deus e para lembrá-lo de que se encontram em tal estado de corrupção como resultado de sua própria letargia religiosa, e não porque Deus o abandonou. Mas Malaquias oferece esperança, reafirmando a promessa divina de um Messias.

 

v     Curiosidades

                                     I.     “Eu amei Jacó, mas rejeitei Esaú” – Esta expressão refere-se à ocasião em que Deus fez a sua aliança com Jacó (o ancestral dos israelitas) e rejeitou o seu irmão Esaú (o antepassado dos edomitas). Na época de Malaquias, os edomitas pareciam se beneficiar da ruína de Israel. Ele promete que Deus punirá os edomitas. Essa profecia foi concretizada em 400 a.C., quando os árabes nabateus forçaram os edomitas a deixarem sua terra natal e se reinstalarem no sul da Palestina, numa área chamada de Idumeia.

                                  II.     “Tentem oferecê-los de presente ao governador” – Malaquias destaca a falta de respeito dos sacerdotes a Deus, o seu Senhor soberano. Ele quer saber se os sacerdotes teriam a ousadia de fazer oferendas com animais defeituosos ao governador persa, o opressor estrangeiro.

                               III.     “O Senhor que vocês buscam virá” – Malaquias reafirma aos israelitas desiludidos que a expectativa de um Messias será concretizada.

                                IV.     “Certamente vem o dia” – Deus promete, através do ministério do Messias, um dia de julgamento na terra. Os bons serão salvos, e os maus, destruídos.

                                   V.     “Eu enviarei a vocês o profeta Elias” – Deus enviará um profeta para preparar a chegada do Messias. Esse profeta é o novo Elias – posteriormente identificado, no Novo Testamento, como João Batista (Mateus 11:18).

 

- Malaquias: Estudiosos da Bíblia colocam este profeta vivendo por volta de 450 a.C., durante o período pós-exílio. Nessa época, Israel era um fraco estado vassalo em depressão econômica. Malaquias (“meu mensageiro”, em hebraico) transmite a mensagem de Deus a uma nação que não vira concretizadas as suas expectativas de um novo reino em Jerusalém.

- Moisés e Elias: Moisés e Elias foram duas das mais importantes figuras históricas de Israel. Ambos apareceram diante dos três apóstolos – Pedro, Tiago e João –, durante a transfiguração de Jesus. Moisés foi o maior líder e legislador de Israel, e Elias, o representante dos profetas.

 

Publicada inicialmente na Grã-Bretanha em 1997 por Dorling Kindersley Ltd, 9 Herietta Street, London WC2E 8PS.

 

Aqui se encerram as publicações chamadas de “histórias bíblicas”, completando 184 postagens.

Tudo se inicia com Jesus e o Novo Testamento – que é a postagem número 1, feita em 29 de janeiro de 2020. Assim, você pode perceber que foi um trabalho de postagens de praticamente 5 anos.

Todas estas postagens encontram-se aqui neste Blog, de forma alternada, e você pode ler todas elas, tendo, assim, um bom apanhado sobre toda a Bíblia.

Espero que tenha podido ser possível atender às expectativas dos leitores.

Seguimos, logicamente, com novas postagens, semanalmente, abordando temas do Evangelho e do discipulado de Cristo.

Siga nos acompanhando!

 

Kurt Hilbert

domingo, 30 de novembro de 2025

A Necessidade de Pregar


 

1º Coríntios 9:16

Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho!

 

Por um bocado de tempo eu não consegui entender esta afirmação do apóstolo Paulo, quando ele diz que lhe é imposta a necessidade de pregar. Mais tarde, porém, entendi – e me lembrei de Jesus dizendo a Pedro, sobre a momentânea incompreensão de algo: “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá (João 13:7). Sim, chega uma hora em que entenderemos o que temos que entender, e foi assim comigo em relação a esta declaração de Paulo.

O apóstolo falava que não podia se orgulhar de pregar o Evangelho, como se esta obra fosse sua, como se fosse simples escolha sua, como se fosse pela sua capacidade oratória e de persuasão que o fazia, trazendo após si centenas de novos discípulos convertidos a Cristo. Em não se orgulhando do que fazia, confessava-se, por si só, impotente para este serviço.

Ainda, este afazer agora lhe era imposto, por impulsionamento do Espírito em sua pessoa, e também, de certa forma, em reposta ao amor de Cristo que o encontrara naquele fatídico caminho em direção a Damasco. Paulo agora sabia o que de si era esperado: que ele fosse um compartilhador daquilo que o Senhor lhe dera, a saber, a revelação de Jesus Cristo! Paulo não se considerava alguém digno de elogio, apenas alguém que tinha o privilégio de cumprir um dever que o Senhor lhe dera!

Paulo sabe que Deus o impulsionou a pregar o Evangelho. Este agora era um dever divinamente outorgado – por isso diz que me é imposta a necessidade de pregar.

Paulo sabe, também, que não há glória pessoal nisso. Ele não é digno de receber nenhum elogio por este trabalho, posto que o mesmo é inspirado e revelado pelo Espírito. Ele teria mérito se tudo isso partisse dele, mas, como sabe que de si nada partiu, atribui toda a glória ao Senhor! E se sente grato por Deus lhe ter atribuído essa tarefa.

E agora, algo muito peculiar nisso tudo: Paulo sabe que pode sofrer punição se não o fizer! Sim, e trato de esclarecer esse ponto da melhor forma que posso, a fim de deixar bem compreendido e não passível de má interpretação.

O parágrafo anterior se começa a entender quando olhamos com discernimento e sabedoria para esta declaração: Ai de mim se não pregar o evangelho!

“Ai de mim” pressupõe castigo, penalização, consequências... e é isso mesmo!

Mas, ao contrário do que possa parecer quando olhado de forma rápida e superficial, esta declaração não teme um castigo divino, mas, sim, uma consequência autoprovocada em caso de esta tarefa ser negligenciada. E aqui está o ponto alto desta compreensão: a de que o descumprimento de um mandamento sempre provoca ao descumpridor uma consequência autoimposta.

É como se o apóstolo compreendesse – acertadamente – que o principal prejudicado seria ele mesmo, uma vez que compreende que o primeiro beneficiado pelo anúncio do Evangelho é ele próprio.

Sim, por isso que anunciar o Evangelho é um privilégio! Quem o anuncia é o primeiro a comer do seu fruto!

Lá no início do texto eu disse que por muito tempo não eu compreendera esta declaração paulina. Agora, decorridos estes poucos parágrafos, creio que você compreenda por que passo a compreendê-la.

Por aproximadamente quinze anos eu exerci um cargo – voluntário e não remunerado – em uma denominação eclesiástica. Entre outras atribuições que tinha, a de pregar era uma. Depois do meu desligamento deste cargo pensei em largar de mão tudo isso. Deparei-me, no entanto, com esta declaração da Palavra: Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). E ainda: Faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério (2º Timóteo 4:5). Ora, tudo isso dizia respeito a mim, eu sabia! Mas claudiquei bastante até conscientizar-me disso plenamente.

Sim, cambaleei um bocado por aí, tateando na Verdade entre uma queda e outra, entre um levantar e outro... até que caiu a ficha, deu-se a conexão, e a revelação me pareceu clara!

Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis e a obra de um evangelista é atender a este chamado, saber que os dons são de Deus emprestados a mim e, assim, torna-se irrevogável também a mim a necessidade de pregar o Evangelho!

Pegando emprestado outro discernimento do apóstolo Paulo, não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê [...] porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé (Romanos 1:16-17), e sei que tudo isso diz respeito a mim e ao que eu faço – e não quero deixar de fazê-lo!

Sim, entendo perfeitamente o que diz o apóstolo Paulo quando diz o que diz...

Espero que você, que aqui me dá a honra de ler estas linhas, também entenda...

Quem sabe você não faz parte deste time também?

Seja como for, saiba que o Senhor tem algo único para você, para cada um de nós!

Os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações (Salmo 33:11).

 

Por ora é isso.

Que a liberdade e o amor de Cristo nos acompanhem!

Saudações,

Kurt Hilbert

domingo, 23 de novembro de 2025

O Espelho e a Inveja


Quando o brilho do outro revela a sombra em nós.

 

A inveja é o amor que adoeceu. É a admiração que se recusou a aprender e preferiu atacar. Quando o outro prospera, não é o sucesso dele que nos fere, é o reflexo daquilo que poderíamos ser, mas não tivemos coragem de nos tornar. Santo Agostinho já advertia: “O orgulho não é grandeza, mas inchaço; e o que está inchado parece grande, mas não é sadio”. A alma invejosa é uma alma inchada, vive de comparações, não de vocações.

Nietzsche via na inveja um sintoma da “moral dos escravos”, aquela que condena o êxito alheio porque teme a própria liberdade. Freud, por sua vez, chamava isso de narcisismo das pequenas diferenças, o incômodo que surge quando o outro, tão semelhante, alcança algo que julgávamos inalcançável. Kierkegaard dizia que “o desespero é a doença mortal”, e talvez o desespero moderno seja perceber que o vizinho floresceu no mesmo solo onde eu estagnei.

Na psicologia, Winnicott lembra que a maturidade é suportar o sucesso do outro sem perder o próprio valor. O imaturo não suporta o brilho alheio porque vive da comparação, não da autenticidade. Carl Jung completaria: “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a compreender a nós mesmos”. O que chamamos de crítica moral muitas vezes é apenas uma confissão pública de inferioridade disfarçada de virtude.

Han observa que a sociedade do cansaço transformou a inveja em ressentimento crônico: o sujeito contemporâneo não suporta a felicidade alheia porque perdeu o sentido da própria. Hannah Arendt chamaria isso de banalidade da inveja, a incapacidade de pensar por si e a fuga da responsabilidade de agir. Viktor Frankl, sobrevivente do absurdo, ensinou que a vida sempre tem sentido, inclusive no fracasso; mas só encontra sentido quem decide se levantar.

Do ponto de vista da neurociência, Antonio Damásio mostra que emoções como a inveja ativam áreas do cérebro ligadas à dor física; invejar é, literalmente, sofrer. Já a psiquiatria clássica, em nomes como Karl Jaspers, identifica na inveja a cisão entre o eu real e o eu ideal: quanto maior o abismo entre quem sou e quem gostaria de ser, maior o ódio projetado em quem conseguiu.

O Evangelho, sempre atual, desvela o mesmo mistério: Caim mata Abel não por maldade pura, mas porque não suportou ver a oferta do irmão aceita. Jesus, o maior dos psicólogos da alma, advertiu que “é de dentro do coração humano que saem as más intenções” (Marcos 7:21). O problema nunca está no outro, mas no espelho que ele se torna.

É tempo de curar a inveja, essa lepra da alma. A cura começa quando aplaudimos quem venceu e nos comprometemos a crescer também. Prosperar não é pecado. Pecado é escolher a arquibancada e cuspir naqueles que ousaram correr.

 

(um texto do Pe. Prof. Ddo. André Varisa)